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Miliciano Adriano estava escondido em sítio de vereador do PSL, na Bahia

Segundo o Portal G1, Gilsinho da Dedé negou conhecer o ex-capitão do Bope e disse que o terreno foi invadido; o miliciano foi morto neste domingo, 9

Por Jana Sampaio - Atualizado em 9 fev 2020, 19h45 - Publicado em 9 fev 2020, 19h35

Ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais, Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como chefe da milícia “Escritório do Crime”, foi localizado pela polícia em um sítio de propriedade do vereador do PSL Gilsinho da Dedé. A informação é do Portal G1. O miliciano reagiu à prisão, trocou tiros com os agentes e acabou morto na manhã deste domingo, 9, na cidade de Esplanada, no litoral baiano. Segundo o advogado de Adriano, Paulo Emílio Catta Preta, ele temia ser morto como “queima de arquivo”.

Em entrevista ao G1, o parlamentar afirmou que soube da operação por um vizinho e negou conhecer o miliciano. Segundo Dedé, o terreno é cercado de arame, mas não há caseiro vigiando a propriedade.

“Um vizinho me disse que estava tendo uma ação no meu sítio, achando que era assalto, e perguntou se eu sabia do que se tratava. Mas estou viajando e não tenho informação nenhuma além dessa”, disse o vereador.

Segundo Dedé, ele só soube da operação quando ligou para um delegado da região. O parlamentar acredita que o terreno foi invadido por Adriano e espera por mais esclarecimentos da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, que atuou em parceria com a Polícia Civil do Rio.

O vereador reiterou que nunca viu nem teve contato com Adriano na vida. “Além das fotos que saíram na mídia, eu nunca o vi, falei, fui apresentado ou tive contato com ele”, afirmou.

O histórico do “Capitão Adriano”

Foragido há cerca de um ano, o miliciano era suspeito de participar de diversos homicídios, inclusive o da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no dia 14 de março de 2018. Adriano estava sendo investigado pela inteligência da Secretaria de Estado de Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público.

Em uma matéria de junho de 2019, VEJA adiantou que Adriano e Fábrico Queiroz, que trabalharam juntos no 18º Batalhão da PM, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, se envolveram em um homicídio em 2003. Juntos, Adriano e o sargento Queiroz atiraram em Anderson Rosa de Souza por volta de 0h30 de 15 de maio de 2003, durante uma ronda na Cidade de Deus. Souza morreu em consequência dos tiros, e a dupla, na madrugada, foi a uma delegacia registrar o que qualificou de auto de resistência — na sua versão, dispararam para se defender.

Anos mais tarde, Queiroz recrutou a mãe e a esposa do miliciano, que à época já era notório no submundo do crime, para trabalharem com ele no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando este ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro. Em dezembro, o Ministério Público do Rio constatou que Queiroz usou as contas bancárias da mãe e da mulher de Adriano para repassar parte do salário delas, em um esquema que ficou conhecido como “rachadinha” no antigo gabinete do Zero Um, Flávio. O deputado, em 2005, chegou a homenagear o miliciano com a Medalha Tiradentes, a mas alta honraria da Assembleia Legislativa do Rio.

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