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Justiça aceita denúncia contra Cerveró e Fernando Baiano

De acordo com a acusação, Cerveró recebeu 40 milhões de dólares, a partir da mediação de Fernando Baiano, para a consolidação do contrato com Samsung

Por Laryssa Borges - 17 dez 2014, 10h11

O juiz federal Sergio Moro aceitou nesta quarta-feira a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o empresário e lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, o doleiro Alberto Youssef e contra o executivo Julio Camargo, da empresa Toyo Setal. Eles são acusados de crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção e lavagem de capitais.

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De acordo com a acusação, Cerveró recebeu 15 milhões de dólares, a partir da mediação de Fernando Baiano, para a consolidação do contrato com a Samsung. Depois de ter embolsado a propina, Cerveró, na condição de diretor da Área Internacional da Petrobras, recomendou à Diretoria Executiva da estatal a contratação da empresa sul-coreana por 586 milhões de dólares. Em uma segunda etapa, por meio de Fernando Baiano, Nestor Cerveró teria recebido mais 25 milhões de dólares para que a Samsung conseguisse um contrato para o fornecimento de outro navio sonda para perfuração de águas profundas ao custo de 616 milhões de dólares. O total de 40 milhões de dólares em vantagens indevidas, que o empresário Julio Camargo afirma ter sido destinado a Fernando Baiano, terminou, segundo apuração do Ministério Público, nas mãos de Cerveró.

As revelações de Julio Camargo, que firmou um acordo de delação premiada, foram cruciais, na avaliação do juiz Sergio Moro, para que houvesse evidências suficientes contra o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. “No que se refere à justa causa para a denúncia, a acusação baseia-se em larga medida em depoimentos prestados pelo criminoso colaborador Julio Gerin de Almeida Camargo [que] narrou em riqueza de detalhes os episódios do pagamento de propina”, afirma Moro.

Para conseguir que a Justiça aceitasse denúncia contra Nestor Cerveró e contra Fernando Baiano, o Ministério Público elencou, conforme relata o juiz, “um número significativo de documentos que amparam as afirmações constantes nas denúncias” e “as dezenas de transações financeiras relatadas pelo criminoso colaborador e que representariam atos de pagamento de propinas e de lavagem de dinheiro”.

Na peça de acusação apresentada à Justiça, Nestor Cerveró foi denunciado duas vezes por corrupção passiva e 64 vezes por lavagem de dinheiro; Fernando Baiano, duas vezes por corrupção passiva e 64 vezes por lavagem; Julio Camargo, duas vezes por corrupção ativa, 64 vezes por lavagem e sete por crimes financeiros; e Alberto Youssef foi denunciado dezessete vezes por lavagem de dinheiro.

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