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Investigação sugere que Delta pagou pela casa de Perillo

A PF acredita que a empreiteira firmou um "compromisso" com Marconi Perillo, intermediado por Cachoeira. A compra do imóvel seria a primeira negociação

Por Da Redação - 17 jul 2012, 09h13

O cruzamento de dados bancários da CPI do Cachoeira, da Polícia Federal e do governo de Goiás indicam que a Delta Construções teria bancado a compra da casa do governador Marconi Perillo (PSDB) pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em troca da liberação de mais de 9 milhões de reais em créditos da empresa com o estado. O tucano nega relação entre a transação imobiliária e os pagamentos do governo.

A PF acredita que a Delta firmou um “compromisso” com Perillo, intermediado por Cachoeira, após sua posse. A compra da casa teria sido a primeira negociação depois do acerto.

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A análise dos extratos bancários mostra o “Deltaduto” em cinco momentos: o dinheiro que sai da empreiteira; passa por duas empresas comandadas pelo esquema do contraventor, a Alberto e Pantoja e a Adércio e Rafael Construções; recursos de ambas abastecem a conta da Excitant, controlada pelo sobrinho de Cachoeira, Leonardo Augusto de Almeida Ramos; três cheques assinados por Leonardo pagam a compra da casa; a liberação de créditos à Delta.

A movimentação ocorreu de fevereiro a maio de 2011. Em sete depósitos, a Delta transferiu às duas empresas de fachada 5,4 milhões de reais. Elas repassaram à Excitant 1,4 milhão de reais, em cinco transações. Perillo recebeu esse valor pela casa, em três cheques assinados pelo sobrinho de Cachoeira. A fatura da Delta foi paga em três prestações de cerca de 3,2 milhões de reais.

Escutas – As suspeitas de acerto são reforçadas pelas interceptações telefônicas da Operação Monte Carlo. Em 1º de março de 2011, às 15h04, Cachoeira pergunta ao ex-vereador Wladimir Garcêz (PSDB) se ele vai mostrar a Perillo “aqueles nove milhões” que o estado tem de pagar.

“Você levou para mostrar para ele”, pergunta Cachoeira. “Tá comigo aqui. Oito milhões, quinhentos e noventa e dois zero quarenta e três”, disse Garcêz, que admitiu à CPI ter trabalhado tanto para a empreiteira como para o contraventor. “Então tá”, responde Cachoeira.

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Uma hora depois, nova conversa entre os dois mostra que, segundo Garcêz, Perillo ficou de resolver, em referência ao pagamento à Delta. No mesmo dia, a Delta recebeu a primeira parcela de cerca de 3,2 milhões de reais. Um dia depois, o tucano recebeu a primeira parcela pela casa.

As investigações da PF apontam que Cachoeira decidiu se desfazer do imóvel após a compra. Segundo a polícia, a residência foi vendida ao empresário Walter Paulo Santiago por 2,1 milhões de reais. Cachoeira teria recebido 1,5 milhão de reais. Perillo, outros 500 000 reais, repassados pelo então assessor especial Lúcio Fiúza, que teria ficado com 100 000 reais.

Em nota, Perillo alegou que os três repasses citados pela PF fazem parte de um total de 13 pagamentos feitos de forma regular à Delta, por parte da Secretaria de Segurança Pública. Há cinco casos posteriores à negociação da casa de repasses com idêntico valor. “Verificando os valores, conclui-se que os pagamentos são regulares e continuados, considerando apenas os trâmites burocráticos para sua efetivação”.

Em nota, a Delta disse estar à disposição da Justiça e da CPI para prestar “todos os esclarecimentos”. A empresa “reserva-se, porém, o direito de não responder a questões pontuais formuladas com base em vazamentos parciais de informações”, diz o texto.

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(Com Agência Estado)

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