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Governo demite ex-homem forte dos Transportes

Mauro Barbosa foi diretor do Dnit e chefe de gabinete do então ministro Alfredo Nascimento nas administrações do PT

Por Hugo Marques Atualizado em 21 dez 2020, 13h30 - Publicado em 21 dez 2020, 13h14

O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, demitiu do serviço público o auditor federal de finanças e controle Mauro Barbosa da Silva, que foi diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) no governo Lula e chefe de gabinete do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, na gestão de Dilma Rousseff. A exoneração foi publicada no Diário Oficial da União e teve como base um processo administrativo disciplinar tocado pela CGU em parceria com a Advocacia-Geral da União (AGU).

A AGU não divulga a íntegra do processo administrativo, mas a portaria da demissão diz que Barbosa foi punido com base no Regime Jurídico dos Servidores (Lei 8112/90), por improbidade administrativa, e na legislação que dispõe sobre sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no emprego (Lei 8.429/92), por “receber vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos”.

Servidor público federal desde 1995, Mauro Barbosa chegou ao topo da máquina pública nas administrações petistas. Em novembro de 2005, o então presidente Lula enviou mensagem ao Senado indicando o nome dele para a direção-geral do Dnit, órgão que vivia sob a influência do PL, partido controlado pelo mensaleiro Valdemar Costa Neto. Já no governo de Dilma Rousseff, Barbosa foi efetivado como chefe de gabinete de Alfredo Nascimento e, ao lado do ministro, tornou-se uma das primeiras vítimas da chamada faxina ética. Os dois caíram após VEJA revelar, em 2011, a existência de um esquema de corrupção na pasta. A reportagem provocou ainda as demissões, entre outros, do então diretor-geral do Dnit, Antônio Pagot, e do presidente da Valec Engenharia, José Francisco das Neves, o ‘Juquinha’.

Depois da queda do ministério, Mauro Barbosa foi trabalhar na segunda secretaria do Senado, à época comandada pelo senador João Ribeiro, que também era do PL. Mesmo sob investigação, ele exibiu sinais de riqueza, como a construção de uma luxuosa mansão de 1300 metros quadrados no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. Agora, perdeu em definitivo seu vínculo com a administração pública, o que incluía um salário de 27.300 reais mensais.

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