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Governo de PE nega responsabilidade em morte por ataque de tubarão

Procurador jurídico do estado disse que é inadimissível processar autoridades pelo incidente e afirmou que a vítima foi alertada sobre o risco de ataques

O governo de Pernambuco negou responsabilidade pela morte da turista paulista Bruna da Silva Gobbi, de 18 anos, que foi atacada por um tubarão na praia de Boa Viagem, na última segunda-feira. Nesta quinta-feira, Thiago Norões, procurador-geral do estado, um órgão jurídico vinculado ao governo, rechaçou a possibilidade de autoridades serem processadas pelo incidente.

Para Norões, a vítima, além de não saber nadar, foi alertada para não entrar no mar. “Ela não seguiu a orientação dos salva-vidas, foi arrastada e não conseguiu voltar”, disse , alegando que é de “conhecimento internacional” a presença de tubarões na praia onde Bruna se banhava.

Norões afirmou que é inadmissível o estado ser autuado pelo ocorrido, senão o mesmo “poderá ser responsabilizado por qualquer acidente trágico para o qual não contribuiu”. Em seguida, destacou que na praia de Boa Viagem há 88 placas informando sobre o risco de ataque de tubarão. Ele disse que as autoridades fizeram tudo o que era possível para salvar a jovem. “Houve rápida ação de resgate”, reforçou.

No dia do incidente, Bruna chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros e foi encaminhada, com a perna dilacerada, para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração . No entanto, não resistiu ao pós-operatório e faleceu no mesmo dia.

Família – O comerciante Davi Leonardo Alves, tio da vítima, anunciou que está reunindo informações e contratará um advogado para impetrar uma ação contra o governo. A principal acusação é de inoperância do sistema de monitoramento da presença de tubarões no litoral pernambucano. O programa, que consiste em capturar os animais e soltá-los em águas profundas, está fora de atividade há sete meses por falta de recursos.

Dezessete ataques ocorreram no período em que o programa estava fora de operação. O governo afirma que o sistema era um projeto de estudo científico e não de defesa da praia contra tubarões.

Logo depois do incidente, o Ministério Público do estado encaminhou uma recomendação ao governo de interditar trechos do litoral pernambucano que ofereçam risco à população em períodos com maior incidência de ataques de tubarão.

(Com Estadão Conteúdo)