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Globo se manifesta sobre a conversa de Gregório Duvivier com hacker

Conforme VEJA revelou, humorista sugeriu a invasor que acessasse o Telegram da alta cúpula da emissora

Por Da Redação - Atualizado em 20 dez 2019, 13h59 - Publicado em 20 dez 2019, 13h55

O humorista Gregório Duvivier sugeriu para o hacker Walter Delgatti Neto nomes de figurões da Rede Globo. A informação, revelada por VEJA, consta da conclusão do inquérito da Polícia Federal sobre as invasões dos celulares de autoridades da República e de integrantes da Operação Lava-Jato.

Nos diálogos, Duvivier pergunta para Delgatti se tinha “algo da Globo”. O hacker responde que “tem bastante” informação envolvendo a emissora de televisão e afirma que “pega 50 por dia e acaba não lendo”. Ele ainda afirma que havia “pegado” o aplicativo de mensagens Telegram do apresentador do Jornal Nacional William Bonner, mas não teve acesso a nenhum conteúdo, porque as mensagens havia sido deletadas. Duvivier continua indicando novos alvos globais como o diretor-geral de Jornalismo Ali Kamel e o diretor-geral da emissora Carlos Henrique Schroder – e sugere que uma informação sobre a cúpula da emissora “poderia ser bem forte”.

Procurada, a assessoria de imprensa da Rede Globo disse que os “diálogos revelados no inquérito são claros”. A emissora ainda afirmou que o “público saberá julgar a atitude de Gregório Duvivier e suas explicações posteriores”. Em relação à citação dos nomes de Ali Kamel e Carlos Henrique Schroder, a rede de televisão esclarece que os diretores “preferem guardar para si suas opiniões” e que “apenas afirma que se a quebra de sua privacidade tivesse sido levada adiante nada revelaria de desabonador e nenhum contato com participantes da Operação Lava-Jato”.

De acordo com a Polícia Federal, não foram encontrados indícios de que Kamel, Schroder ou Witzel tenham sido vítimas de ações dos hackers. A respeito de  William Bonner, no entanto, os investigadores afirmam que o apresentador do Jornal Nacional acabou caindo na rede de ataques, apesar de a invasão nos aparelhos celulares deles terem ocorrido em data anterior à sugestão de Duvivier. Na conclusão do inquérito, não há imputação de crimes a Gregório Duvivier.

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Procurado, o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende Duvivier, afirmou que o humorista disponibilizou espontaneamente para a Polícia Federal toda a troca de mensagens com o hacker e que “explicou detalhadamente em seu depoimento, no intuito de colaborar com as investigações, que aleatoriamente mencionou uma série de nomes, em uma conversa informal, sem qualquer intenção ou interesse de que tais nomes de fato fossem interceptados ou muito menos investigados”.

Nota da Rede Globo:

Os diálogos revelados no inquérito são claros. O público saberá julgar a atitude de Gregório Duvivier e suas explicações posteriores. Ali Kamel e Carlos Henrique Schroder, citados, preferem guardar para si suas opiniões a respeito. Apenas afirmam que se a quebra de sua privacidade tivesse sido levada adiante nada revelaria de desabonador. E nenhum contato com participantes da Operação Lava-Jato.

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