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Gerentes de refinarias se eximem em depoimento à CPI

Flávio Casa Nova e Abenildo Alves negaram envolvimento com desvios e disseram ter ficado surpresos com revelações da Lava Jato

Por Gabriel Castro, de Brasília 8 jun 2015, 17h53

Dois gerentes de refinarias ouvidos nesta segunda-feira pela CPI da Petrobras afirmaram aos parlamentares que não sabiam dos desvios e superfaturamentos em contratos até as investigações da Operação Lava Jato.

Em uma sessão esvaziada, a comissão ouviu Flávio Casa Nova, ex-gerente setorial da refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), e Abenildo Alves, ex-gerente na obra de Abreu e Lima. Os dois empreendimentos tiveram contratos superfaturados e desvio de recursos para o pagamento de propina.

Casa Nova disse ter cumprido sua função: “O sentimento é de decepção, raiva, revolta, porque eu fiz o meu trabalho exatamente como a companhia mandou. Eu segui as regras da companhia”.

Flávio Casa Nova também dicordou da análise do TCU, que aponta superfaturamento em contratos da Refinaria Abreu e Lima. O preço saltou de 13,4 bilhões de reais para 18,5 bilhões de reais. “Não há sobrepreço porque a Petrobras estimou de acordo com os padrões da indústria do petróleo”, disse ele, que citou a alta do dólar e alterações no projeto para justificar a elevação nos custos.

As declarações de Abenildo foram parecidas. “Honestamente, eu nunca presenciei nada que me levasse a achar estranho ou desconfiar de qualquer coisa”, disse. Ele afirmou ter sido indicado para a comissão de licitações por Glauco Legatti, que é gerente-geral de Abreu e Lima e, em depoimento à CPI, disse nunca ter feito esse tipo de indicação.

O deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), um dos sub-relatores da CPI, quer que Legatti volte a depor para explicar a apartente contradição. O gerente-geral é acusado de receber 400 reais de propina da Galvão Engenharia.

A CPI também ouviu Ivo Tasso Baer, ex-gerente de interligações de Abreu e Lima, Heleno Lira, responsável pelas obras de infraestrutura da mesma refinaria, Gilberto Moura, gerente da refinaria de Capuava (SP) e Laerte Pires, que participou da implementação do Comperj. Todos adotaram um discurso semelhante, negando ter tomado conhecimento de qualquer irregularidade.

A sessão desta segunda-feira teve a presença de pouquíssimos parlamentares. A expectativa, entretanto, é de quórum alto para o depoimento de Júlio Faerman, ex-lobista da holandesa SBM Offshore, nesta terça-feira.

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