Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Ex-procurador-geral de Justiça do Rio é preso

Claudio Lopes é acusado de receber propina no esquema de Sérgio Cabral

O ex-procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro Claudio Lopes foi preso na quinta-feira em sua casa, na Zona Oeste da capital fluminense. Ele é acusado de participar do esquema de propinas liderado pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Lopes, que ocupou o cargo entre 2009 e 2012, foi denunciado em outubro pelo Ministério Público por formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva e quebra de sigilo funcional. No mesmo processo, que tramita em segredo de Justiça, também foram denunciados o ex-governador Cabral, o ex-secretário estadual de governo Wilson Carlos e Sérgio de Castro Oliveira, suposto operador financeiro de Cabral. Na denúncia, porém, o único que teve a prisão pedida pelo Ministério Público foi Lopes. A Justiça autorizou a medida, cumprida nesta quinta.

Vazamentos

O ex-procurador-geral é acusado pelo ex-secretário estadual de Saúde Sérgio Côrtes e pelo ex-subsecretário executivo da mesma pasta, Cesar Romero, de ter vazado para ambos a realização de uma operação de busca e apreensão que seria realizada na casa de Romero, a pedido do Ministério Público, em novembro de 2010.

A busca foi feita, mas não foram encontrados documentos comprometedores porque no dia anterior Romero destruiu o material que poderia incriminá-lo, usando até um triturador de papel, segundo contou à Justiça.

Segundo um ex-operador de Sérgio Cabral, Carlos Miranda, Lopes também recebeu mesada a mando de Cabral, enquanto este governava o Estado do Rio e Lopes chefiava o Ministério Público. Para não fiscalizar adequadamente o governo, o então procurador-geral teria recebido 150.000 reais por mês ao longo de toda a sua gestão. Nesse período, a investigação de denúncias graves deixou de avançar e acabou interrompida.

Furna da Onça

Também na quinta, dez deputados estaduais do Rio foram presos na Operação Furna da Onça, acusados de receber um “mensalinho” de Cabral para aprovar medidas favoráveis ao governo. Segundo o Ministério Público, o esquema transformou a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) em uma “propinolândia”.