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“Entre exercícios e fisioterapia”

Nunca um presidente despachara do hospital

Uma mesa redonda, quatro cadeiras, um telefone criptografado para impedir vazamentos e um aparelho de televisão. A sala montada pelo Gabinete de Segurança Institucional do Palácio do Planalto no 5º andar do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, foi transformada em escritório da Presidência da República na quarta-feira 30, depois que Jair Bolsonaro deixou a UTI. Nunca um presidente despachara do hospital. Durante 48 horas, o tempo em que Bolsonaro permaneceu sedado ou em recuperação, o comando do país ficou com o general Hamilton Mourão, que não demorou a palpitar sobre quase tudo — Lula, Vale etc. Foram sete horas de operação para a retirada da bolsa de colostomia colocada depois do atentado sofrido em Juiz de Fora. O próprio Bolsonaro foi ao Twitter (ou então seu filho Carlos, no papel de ghost-writer) para anunciar: “Reassumo as funções da Presidência da República. Entre exercícios e fisioterapia, os trabalhos que já vinham sendo tocados pela nossa equipe seguem com afinco”. Com afinco, os Bolsonaro não perderam a oportunidade de alimentar um pouco mais de polêmica. Numa das fotos divulgadas pelas redes sociais, Carlos, sempre ele, mostrou o pai com um smartphone. Ao fundo, no chão, despontavam uma mala grande de roupas e outra menor. Que trazia o quê? Uma Glock, a arma predileta da família. Um revólver num quarto de hospital? É claro que no coldre de agentes de segurança pistolas não causam estranheza. Mas ali, ao lado da muda de roupa? Carlos respondeu à celeuma: “Problematizaram uma maleta! Meu Deus!!!”. Bem, não foi exatamente a maleta…

Publicado em VEJA de 6 de fevereiro de 2019, edição nº 2620