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Em meio a crise com Bolsonaro, dispara aprovação do Ministério da Saúde 

Segundo o Datafolha, 76% concordam com a forma como a pasta chefiada por Mandetta trata a pandemia do coronavírus; apenas 33% aprovam as ações do presidente 

Por Da Redação - Atualizado em 3 abr 2020, 16h04 - Publicado em 3 abr 2020, 14h07

Em meio a uma troca de farpas envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Luiz Henrique Mandetta, uma pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-fera, 3, mostra que a aprovação da forma como o Ministério da Saúde conduz o enfrentamento da pandemia do coronavírus disparou e é mais que o dobro da registrada pelo chefe do Executivo federal. 

Em comparação com a pesquisa anterior, feita entre os dias 18 e 20 de março, a aprovação do Ministério da Saúde cresceu de 55% para 76% – apenas 5% reprovam as atitudes da pasta (antes, eram 12%). Já o número dos que avaliam como regular caiu de 31% para 18%. 

No mesmo período, a aprovação do presidente variou dentro da margem de erro – de três pontos percentuais para mais ou para menos – e foi de 35% para 33%. As taxas de reprovação (de 33% para 39%) e dos que acham regular a forma como Bolsonaro age na emergência sanitária (de 26% para 25%) também oscilaram dentro da margem, mas, no caso da reprovação, no limite dela. 

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Bolsonaro tem as suas piores avaliações entre mulheres (43% de reprovação), pessoas com curso superior (50%), mais ricos (acima de 10 salários mínimos mensais, 46%), jovens (16 a 24 anos, 45% de ruim/péssimo) e aqueles com idades de 35 a 44 anos (47%). No geral, 51% acham que Bolsonaro mais atrapalha do que ajuda no enfrentamento da pandemia contra 40% que pensam o contrário.

As divergências entre Bolsonaro e Mandetta começaram a ficar públicas há pouco mais de duas semanas e tiveram como ponto central a questão do isolamento social, prática defendida pelo ministro e pela grande maioria das autoridades de saúde do mundo como importante para frear o avanço da epidemia.

Bolsonaro estimulou manifestações de rua em seu apoio em meio à pandemia e chegou a cumprimentar manifestantes em frente ao Palácio do Alvorada no dia dos atos, 15 de março. Também fez um pronunciamento em rede nacional de TV no dia 24 de março no qual atacou os governadores por implantarem o que chamou de “confinamento em massa”. Enquanto issso, o ministro seguiu defendendo o isolamento social nas entrevisas quase diárias que ele e sua equipe vinham concedendo.

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Na quinta-feira,2, em entrevista à rádio Jovem Pan, Bolsonaro, ao ser questionado se pensava em demitir Mandetta, afirmou que não faria isso em meio à pandemia, mas bateu no ministro. Disse que, em alguns momentos, “tá faltando humildade” ao auxiliar. “Mandetta já sabe que estamos nos bicando. Ele está extrapolando. Mas não posso demitir ministro em meio ao combate. Nenhum ministro meu é indemissível”, disse. “Acho que o Mandetta em alguns momentos teria que ouvir um pouco mais o presidente da República”, completou.

Ouvido pelo jornal Folha de S. Paulo, Mandetta rebateu: “Quem tem mandato fala e quem não tem, como eu, trabalha”, disse. Segundo a coluna Radar, depois de ser atacado publicamente pelo presidente, o ministro foi jantar com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia, na residência oficial do Senado. Na conversa, estava inconsolável. Disse aos chefes do Congresso que a situação com o presidente era “insustentável”.

Governadores

A aprovaçâo à atuação dos governadores durante a pandemia ficou estável entre os dois levantamentos: a aprovação passou de 55% para 58%, a taxa dos que acham regular ficou igual (16%) e a dos que reprovam variou de 28% para 23%. Os chefes dos Executivos estaduais são os que têm tomado as medidas mais duras desde o início da crise, como o fechamento do comércio e de estradas, o que levou muitos deles a entrarem em choque com Bolsonaro.

A pesquisa foi feita entre quarta-feira, 1º, e sexta-feira, 3, com 1.511 entrevistados por telefone – em razão da pandemia, o instituto não está fazendo pesquisa presencial – em todas as regiões do país. 

 

 

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