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Em Cuiabá, tucano acusa adversário de integrar esquema de propina

Wilson Santos não apresentou provas diretas contra Emanuel Pinheiro, mas entregou uma gravação em que a cunhada do adversário cita pagamentos irregulares

Por Laryssa Borges - Atualizado em 24 out 2016, 20h34 - Publicado em 24 out 2016, 20h22

Na reta final da campanha pela disputa à prefeitura de Cuiabá, o candidato do PSDB Wilson Santos, atrás nas pesquisas de intenção de votos, apresentou nesta segunda-feira denúncia em que acusa o adversário Emanuel Pinheiro (PMDB) de envolvimento em um esquema de cobrança de propina por meio da concessão de incentivos fiscais. O tucano não apresentou provas contra Pinheiro, mas se valeu de uma gravação de áudio em que a cunhada do peemedebista, Bárbara Helena Pinheiro, indica que recebeu pelo menos 2 milhões de reais em pagamentos supostamente ilegais da empresa Caramuru Alimentos, gigante do ramo de processamento de grãos. Em uma campanha marcada por episódios de baixaria de ambos os candidatos que concorrem no segundo turno, essa nova  acusação é apenas mais um capítulo do baixo nível da campanha em Cuiabá.

Na tarde de hoje, Wilson Santos entregou à Delegacia Fazendária queixa-crime em que acusa a cunhada de Emanuel Pinheiro, Bárbara, o irmão do candidato, Marco Polo Pinheiro, e a irmã de Bárbara, Fabíola Cássia de Noronha Sampaio, de terem usado empresas deles para conseguir que fossem repassados 4 milhões de reais ao político do PMDB. A prova? Um áudio de cerca de 11 minutos em que Bárbara fala de irregularidades na emissão de uma nota fiscal e diz que a descoberta do pagamento, feito à empresa de advocacia de Fabíola, “vai acabar com a minha vida”. A conversa em que Bárbara fala do repasse financeiro ocorreu em 24 de setembro na casa do próprio Wilson Santos.

Os recursos que abasteceram as contas de Bárbara Pinheiro – e que Wilson Santos insinua que podem ter desaguado nos bolsos de Emanuel – teriam sido pagos depois de a Caramuru Alimentos ter conseguido, em tempo recorde de menos de dez dias, ser incluída no programa de incentivos fiscais do governo do Mato Grosso. Em 2014, data do episódio, o então secretário de Estado de Indústria e Comércio, responsável por assinar a concessão do benefício, era Alan Fábio Zanatta, ligado a Emanuel. O candidato do PMDB nega o ter indicado ao posto no governo. Em 2015, a Caramuru deixou o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic), o mesmo que o Ministério Público acusa ter sido utilizado por políticos do Mato Grosso para recolher propina a rodo de empresas.

Embora não tenha apresentado documentos que pudessem incriminar o candidato Emanuel Pinheiro no esquema que, pelo menos aparentemente, beneficiou Bárbara Pinheiro, Wilson Santos se apega a um conjunto de indícios para tentar arrastar o adversário do PMDB para o episódio. Além da suposta vinculação com Zanatta, o político tucano tem como argumento o fato de, ao longo das investigações da Operação Sodoma, Emanuel Pinheiro ter sido citado em delação premiada como o parlamentar a ser procurado para que nomes de empresários não aparecessem no relatório de uma CPI que investigava irregularidades em incentivos fiscais. O deputado, que chegou a recorrer à justiça para poder integrar a CPI, nega as acusações.

“Toda a movimentação (pedido do incentivos, aprovação, emissão das notas fiscais e pagamentos) ocorreu em pleno período eleitoral no ano de 2014, o que poderia indiciar que os recursos serviriam para utilização na campanha eleitoral, pois no mencionado pleito Emanuel Pinheiro foi candidato e se elegeu deputado estadual”, disse Wilson Santos no documento em que pede que o caso seja investigado.

O tucano utiliza ainda uma das falas de Bárbara gravadas na reunião de 24 de setembro para afirmar que Emanuel Pinheiro tinha conhecimento do esquema e abrigou a mulher do irmão na Assembleia Legislativa como suposta contrapartida pela coleta dos recursos. “Tem um preço muito alto para a Fabíola e para o Emanuel, e a fatura quem vai pagar sou eu. Eu não fui para a Assembleia para ganhar 13.000 [reais]  à toa. Eu até café carrego. Eu fui pra lá pra ganhar 13.000 porque Emanuel sabe de toda a história”, disse.

No programa eleitoral desta segunda-feira, veiculado na TV, Emanuel Pinheiro disse que vai processar o adversário e negou qualquer envolvimento com o episódio. “Wilson é assim mesmo. Não tem limites. Ataca a honra, calunia e difama. Atribui a mim fantasiosamente o recebimento de propina de uma empresa de alimentos. Nunca tive qualquer relação com essa empresa. Repito: Nunca”.

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