Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Em carta, Dilma repete discurso de ‘golpe’ e propõe plebiscito

Em texto a senadores e à população, Dilma diz que seu retorno à Presidência colaboraria com 'o surgimento de uma nova e promissora realidade política'

Ré por crimes de responsabilidade no processo de impeachment que corre no Senado, a presidente afastada Dilma Rousseff leu nesta terça-feira uma carta endereçada aos senadores, que votarão no final do mês se ela será ou não definitivamente afastada do cargo, e à população. No pronunciamento no Palácio da Alvorada, quartel general de Dilma e aliados próximos desde que ela foi afastada da Presidência, em maio, a petista falou brevemente em erros cometidos em seu governo, propôs um plebiscito para consultar os brasileiros a respeito de uma nova (e inconstitucional) eleição presidencial e, sobretudo, reverberou o mantra de “golpe”.

“Meu retorno à Presidência por uma decisão do Senado significará a reafirmação do estado democrático de direito e poderá contribuir decisivamente para o surgimento de uma nova e promissora realidade política”, afirmou Dilma. Ao lado dos ex-ministros petistas Jaques Wagner, Miguel Rossetto, Ricardo Berzoini e Aloizio Mercadante, ela disse acolher com “humildade e determinação” as críticas por seus erros políticos e econômicos – mas, como de praxe, não admitiu nenhuma falha.

Pela “pacificação do país” e contra o que chamou de “eleição indireta” no processo deflagrado pela Câmara e prestes a ser concluído no Senado, Dilma Rousseff declarou claramente que apoiará “um plebiscito para consultar a população sobre a realização antecipada de eleições, bem como a reforma política e eleitoral. Devemos concentrar esforços para que seja realizada uma ampla reforma política, que supere a fragmentação de partidos, moralize o financiamento das campanhas eleitorais”. Só faltou dizer que a modificação da periodicidade das eleições esbarra em uma cláusula pétrea da Constituição: o inciso dois, parágrafo quarto, do artigo 60 da Carta.

Embora 367 deputados e, atualmente, 59 senadores defendam o impeachment de Dilma por crimes de responsabilidade em decretos de créditos suplementares e pedaladas fiscais no Plano Safra, a petista classifica os atos como “legais e necessários” e garante que “todos sabem que não cometi crime de responsabilidade”.

Para Dilma Rousseff, sua desastrada gestão foi atrapalhada por pautas-bomba “irresponsáveis” no Congresso e seu afastamento se dá pelo que ela chama de “conjunto da obra”. “Quem afasta o presidente pelo conjunto da obra é o povo, e só o povo, nas eleições, por isso afirmamos que se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado”, concluiu.

Como vem fazendo desde que deixou o Palácio do Planalto, Dilma reafirmou ser honesta e fez um claro contraponto a seu alvo preferido, o ex-presidente da Câmara e deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB), réu em duas ações penais no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato. “Ao contrário dos que deram início a esse processo injusto e ilegal, não tenho contas secretas no exterior, nunca desviei um único centavo do patrimônio público para meu enriquecimento pessoal e de terceiros e não recebi propina de ninguém”.

João Santana destrói Dilma – Conforme VEJA revelou na semana passada, o véu de honestidade sobre o qual Dilma Rousseff costuma se refugiar corre sério risco de cair. A presidente afastada é o principal alvo das revelações da delação premiada que o marqueteiro João Santana negocia com a força-tarefa da Lava Jato.

A principal revelação que Santana e a sua mulher, Mônica Moura, se dispuseram a comprovar é que a presidente afastada autorizou ela mesma as operações de caixa dois de sua campanha. Ou seja: não se trata de dizer que Dilma sabia do que acontecia nos bastidores clandestinos de suas finanças eleitorais, mas sim que ela própria comandava o jogo.

Comentários

Não é mais possível comentar nessa página.

  1. AUGUSTO MARAJÓ

    Ao propor um plebiscito, ela reconhece que não tem condições de governar. Mas, quando ela se visse de novo no poder, quem seria otário de acreditar que ela e o PT não fariam de tudo para empurrar o tal plebiscito com a barriga até 2018, para ressuscitar Lula?

    Curtir

  2. hildo molina

    Obra? Patética! bizarra. ela ainda não entendeu que não há plebiscito possível ou acha que é a dona do mundo ?

    Curtir