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É ignorância, antissemitismo ou ambos

Para Cláudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil, somente essas três hipóteses explicam apoio da esquerda brasileira ao Hamas

Por Hugo Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 nov 2023, 11h19

O presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Claudio Lottenberg, está preocupado com a onda de antissemitismo no mundo, depois que Israel iniciou uma guerra contra o grupo terroristas Hamas, que invadiu o estado judeu e matou mais de 1.400 civis no início de outubro. A comunidade judaica no Brasil reúne mais de 100 mil pessoas. Na última segunda-feira, o presidente Lula comparou Israel ao Hamas.  Nas redes sociais, militantes de esquerda não escondem a simpatia e o apoio ao grupo terrorista. Nesta entrevista a VEJA, Lottenberg pede equilíbrio e moderação ao presidente Lula, que classificou como terroristas as ações de Israel na Faixa de Gaza, e diz que não entende como a esquerda pode defender um grupo como Hamas:

Que tipo de consequências a guerra entre Israel e o Hamas traz para os judeus que moram no Brasil? Os judeus do mundo inteiro, e não apenas no Brasil, estão muito preocupados com esta guerra, que espalhou pelo mundo uma onda antissemita sem precedentes. Muitos judeus estão enxergando um novo nível de antissemitismo mais aberto e “legitimado”, baseado em desinformação e velhos libelos antissemitas que se espalham rapidamente nas redes sociais. Isso devia ser contido. Sabemos que o antissemitismo é um sintoma muito ruim para toda a sociedade, que ameaça a todos, judeus e não judeus. A comunidade judaica está unida e resiliente. Temos resiliência no nosso DNA. Embora nos entristeça ver a apatia e o silêncio de alguns diante do antissemitismo.

Há risco de conflito no Brasil entre israelenses e palestinos que moram no país? Estamos trabalhando muito para que o conflito não seja importado para o Brasil. As comunidades têm convívio pacífico aqui e assim deve seguir. Mesmo com essa tensão toda, é preciso fazer de tudo para que esse convívio siga pacífico e aberto ao diálogo.

Como o senhor vê as manifestações de apoio de alguns partidos de esquerda do Brasil ao Hamas? Acho que não podemos generalizar a esquerda. Tem muita gente bem informada e sensata. Mas não se pode justificar de forma alguma a ação do Hamas, uma organização terrorista e cruel, que matou mulheres, crianças, bebês, idosos, que estuprou em massa, degolou e desmembrou suas vítimas, queimou crianças vivas na frente de seus pais e vice-versa, que não têm apreço nenhum pela vida e muito menos pelos valores caros à esquerda. Tenho dificuldade de entender como alguém que se diz progressista pode defender um grupo que oprime as mulheres e a comunidade LGBTQ, executa opositores. Difícil entender isso. É ignorância, antissemitismo ou ambos.

Lula disse que Israel também está praticando atos terroristas. Esse tipo de manifestação acaba estimulando movimentos e reações extremadas desses seus seguidores, inclusive manifestações antissemitas. Vimos esse impacto nas redes sociais claramente. E isso tudo depois de as autoridades brasileiras desbaratarem um plano terrorista do Hezbollah contra alvos judaicos no Brasil. Por isso estamos pedindo equilíbrio e moderação. Para não importarmos esse conflito para o Brasil. Não estimularmos a violência.

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