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Doria de Porto Velho já foi punido por misturar público e privado

Enquanto promotor, Dr. Hildon recebeu sanções por exaltar a própria empresa sem se afastar do cargo e por engavetar processos

Por Marcela Mattos Atualizado em 28 out 2016, 18h09 - Publicado em 28 out 2016, 17h15

Candidato à prefeitura de Porto Velho, o tucano Hildon de Lima Chaves teve apenas 45 dias de campanha para sair do total desconhecimento do eleitorado e, de forma surpreendente, liderar o primeiro turno da disputa. O feito, alcançado sem jamais ter exercido qualquer cargo político, é creditado ao seu currículo: Dr. Hildon, como é conhecido, exerceu por mais de duas décadas a função de promotor de Justiça e é dono de uma série de empresas, entre elas uma grande rede de ensino, o que lhe garantiu a comparação com o prefeito eleito de São Paulo, João Doria. A dobradinha que hoje serve como mote de campanha, no entanto, já rendeu problemas – e punições – ao candidato.

Em 2012, Hildon foi alvo de sindicância instaurada pela Corregedoria do Ministério Público para apurar se o promotor e empresário agia de modo a confundir o público e o privado.

O episódio deu-se durante reunião do Conselho Nacional de Polícia Criminal e Penitenciária, em Brasília. Na ocasião, conforme documentos obtidos por VEJA, o tucano apresentou-se e atuou como diretor e gerente da empresa HLC Educacional, destinada ao treinamento de profissionais, e, ao mesmo tempo, como membro do Ministério Público. Para evitar qualquer tipo de conflito de interesse, o correto seria que ele se afastasse de alguma das funções.

Como resultado, o então promotor e hoje líder nas pesquisas acabou recebendo uma advertência escrita, aplicada em situações de negligência no exercício da função pública, desobediência às determinações e instruções e prática de ato reprovável, conforme as regras do MP.

A HLC, empresa com sede em Petrópolis, no Rio de Janeiro, tem cinco sócios, entre eles o tucano, e uma sócia-proprietária, Ieda Chaves, mulher de Hildon. A lei permite que membros do Ministério Público participem de sociedades comerciais como cotistas ou acionistas – que é o caso. O candidato, na avaliação do MP, no entanto, agiu como um diretor, o que é vedado.

Um ano depois, em 2013, Dr. Hildon foi parar novamente na Corregedoria. Dessa vez, por desrespeitar os prazos processuais e faltar com o zelo e a presteza exigidos pela função. Resultado: Hildon recebeu uma censura, quando há reincidência em falta já punida com advertência.

Uma outra empresa do candidato também entrou na lista de condutas questionáveis durante o período em que ele esteve no MP. A Sociedade Pimentense, oficialmente administrada pela mulher e da qual é sócio, firmou contrato com a Secretaria de Saúde de Rondônia (Sesau) enquanto Hildon era promotor de saúde. Ou seja: o tucano, na função de fiscalizador, poderia ver-se diante da missão de questionar ações da própria companhia.

Em defesa, o candidato do PSDB afirma que não fora previamente informado sobre a participação da Sociedade Pimentense no edital de licitação e que a sua mulher inscreveu a empresa na disputa sem que ele soubesse. “Tecnicamente, não há problema porque eu não era gestor da empresa, então não há impedimento legal. Mas quando eu fiquei sabendo já tinham ganhado a licitação, o serviço foi prestado e dali para frente eu proibi que celebrassem convênios com a Secretaria de Saúde”, afirmou.

Sobre a reunião em que tratou da empresa em que é sócio, Hildon afirmou à reportagem que ficou comprovado que é a mulher dele quem administra o negócio e que, dessa forma, ele entende que não havia motivo para a punição.

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