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Dilma volta a defender o programa Mais Médicos no Rio

No lançamento da linha 3 do metrô, em São Gonçalo, Sérgio Cabral cria constrangimento ao criticar partido do prefeito da cidade, acusado por ele de convocar manifestações contra o governo

Por Cecília Ritto 11 set 2013, 13h54

A presidente Dilma Rousseff fez mais uma vez, na manhã desta quarta-feira, uma defesa do programa Mais Médicos na cidade fluminense de São Gonçalo, um dos municípios incluídos no programa do governo federal. Em um compromisso em que o assunto principal era transporte – com o anúncio de investimentos do PAC da mobilidade – a presidente afirmou que o governo “não pode ser surdo” e deve trabalhar para atender demandas da população. “Nós sabemos que o país tem um problema sério na área da saúde. Há 701 municípios no Brasil sem nenhum médico. A saúde das pessoas não pode esperar que os médicos se formem”, disse.

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A presidente prometeu ampliar o número de especialistas, aumentando o número de médicos de residentes, e comparou a proporção de médicos formados no exterior que atuam no Brasil e nos Estados Unidos. “Nos Estados Unidos, 25% dos médicos são formados fora do país. Aqui no Brasil, só 1,78%. Não existe justificativa para esse número. Queremos também que o Brasil melhore a infraestrutura de atendimento, melhore os hospitais e mais dinheiro. Por isso o governo federal apoiou a destinação de 25% dos royalties para a saúde”, afirmou.

O compromisso em São Gonçalo é parte da reação do governo a outra demanda da população, cobrada de forma mais barulhenta a partir de junho, quando as manifestações ganharam as ruas do país. Ao lado da presidente estava um dos maiores alvos das manifestações, o governador do Rio, Sérgio Cabral, único a ter, até em outros estados, um coro pedindo sua renúncia. Cabral estava em uma situação pouco usual, se considerados os últimos três meses: participava de um evento sem uma manifestação dirigida a ele, especificamente. Houve, no entanto, algumas vaias, quando o governador, falando antes da presidente, citou a gestão da ex-prefeita da cidade, Aparecida Panisset (PDT), aliada do governo.

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Constrangimento – Diante de uma claque favorável ao prefeito Neilton Mulim, do PR, Cabral causou um constrangimento para as autoridades no palanque, acusando o partido rival de promover manifestações contra o governo. “O prefeito de São Gonçalo é de um partido contrário, que organiza manifestações contra. Mas aqui o povo vem em primeiro lugar. O prefeito aqui não tem capacidade de fazer quase nada porque não tem recursos. O governo do estado investiu 1,5 bilhão de reais aqui e está investindo agora 1 bilhão de reais. O povo sabe disso e me deu mais de 70% dos votos na minha segunda eleição”, afirmou Cabral, em uma versão um pouco diferente, mais ressentida, do discurso de alinhamento entre governos, usado desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Metrô – O momento ‘saia justa’ de Cabral e a defesa do Mais Médicos acabaram deixando em segundo plano o anúncio principal do dia, os investimentos na Linha 3 do metrô no estado do Rio, na verdade um monotrilho construído em parceria com o governo do estado. O primeiro trecho, de 22 quilômetros, ligará São Gonçalo a Niterói. O projeto prevê uma conexão com Itaboraí, onde está sendo construído o Comperj. O governo federal investirá 1,5 bilhão de reais no projeto, enquanto o governo do estado destinará 1,4 bilhão de reais. A previsão é de que a obra beneficie 1,8 milhão de moradores daquela região. Segundo a presidente, serão construídos ao lado do monotrilho um sistema viário e ciclovias, além de um corredor de 20 quilômetros para ônibus.

Dilma afirmou que o governo está “correndo atrás da decisão errada de não investir em metrô nos anos 80 e 90”. “Essa visão errada levou cidades a uma situação muito difícil, basta olhar São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que são as três maiores”, afirmou.

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