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Dilma tenta ressuscitar tema das privatizações

Estratégia é tirar o foco das questões éticas e morais, nas quais a candidata fica exposta por suas posições contraditórias

Se a postura mais assertiva de Dilma Rousseff (PT) no segundo turno da campanha presidencial levanta a militância, como afirma o presidente do PT, José Eduardo Dutra, o que empolgou de verdade o núcleo central da campanha foi a discussão sobre privatizações.

Desesperados para tirar o foco das questões éticas e religiosas – nas quais a candidata tem posições frágeis -, os coordenadores da campanha tentam ressuscitar o tema da privatizações que, em 2006, pavimentou o caminho para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No debate de ontem à noite levado ao ar pela Rede Bandeirantes, Dilma acusou José Serra (PSDB) de querer “privatizar o pré-sal”.

“Privatização não é passado longínquo, é presente e envolve o futuro governo”, afirmou o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP). Para o petista, Dilma conseguiu, no debate de ontem, “politizar” a campanha e deixar claro que os tucanos “querem privatizar a exploração do petróleo na camada pré-sal”.

No debate, Dilma citou declarações recentes de tucanos, como o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros e o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo (ANP) David Zylbersztajn, que segundo ela, defenderiam o modelo de concessão para exploração da riqueza em águas profundas. Ela apontou Zylbersztajn, ex-genro de Fernando Henrique, como “principal assessor energético” de Serra.

O tucano não se fez de rogado. Disse que todo mundo é livre para escrever o que pensa, mas que ele tem ideias próprias e age de acordo com o que acredita, dando a entender que o que pensam assessores não será necessariamente adotado em seu governo. Depois reafirmou o compromisso de fortalecer a Petrobras, e rebateu as acusações de Dilma lembrando que o governo Lula reduziu a participação do estado no controle do Banco do Brasil. Mesmo assim, a avaliação dos petistas é de que o assunto voltou “com força” à campanha e será amplamente explorado no segundo turno, assim como em 2006.

(Com Agência Estado)