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Dilma tenta desvincular PT do petrolão e liga denúncias à eleição

Presidente falou pela primeira vez sobre as novas revelações feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da companhia, e pelo doleiro Alberto Youssef

Por Gabriel Castro 10 out 2014, 15h39

Em entrevista concedida no Palácio da Alvorada nesta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff tentou desvincular o PT do escândalo de corrupção na Petrobras. Foi a primeira vez que ela falou sobre as novas revelações feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da companhia, e Alberto Youssef, doleiro que operava parte do esquema. A dupla aponta o PT como beneficiário da maior parte da propina cobrada em contratos da empresa.

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“Eu acho muito estranha essa ação dessas gravações. Em toda campanha eleitoral há denúncias que, depois, não se comprovam. Quantas vezes isso foi feito em operações levantadas e investigadas? Você faz a apuração, na hora da prova, ela não se mantém”, afirmou a presidente. “Não se pode cometer injustiças, mas também não se pode ser resiliente com mal feitos”. Apesar de o depoimento apontar que a cobrança de propina era uma prática partidária, ela disse que o PT, como instituição, não pode ser culpado. “No Brasil você condena as pessoas”, disse ela, antes de usar a tradicional frase de que “Se alguém errou tem que pagar”.

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Sem explicar como um esquema tão complexo de corrupção se instalou na Petrobras sem que o governo notasse, a presidente pediu uma investigação profunda do caso, e repetiu a já batida frase de que sua gestão não joga a sujeira para debaixo do tapete.

Dilma se prendeu a aspectos secundários, como a competência da Justiça do Paraná para colher o depoimento de Costa. “Não é a Justiça do Paraná que autoriza delação premiada. É o Supremo”. Ela também disse que houve uma seleção do material divulgado. “O que eu considero incorreto é divulgar parcialmente em período eleitoral”, declarou. A presidente pediu ainda mudanças na legislação para permitir o fim da impunidade.

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