Dilma: caso Pimentel nada tem a ver com meu governo

Presidente negou reforma ministerial em 2012 e mandou recado a base aliada: “Nenhum partido interfere nos critérios do governo”

Por Luciana Marques - 16 dez 2011, 11h09

A presidente Dilma Rousseff deixou claro nesta sexta-feira que quer dar como encerrado o escândalo envolvendo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, petista e amigo de Dilma há quarenta anos. “O caso de Pimentel não tem nada a ver com meu governo, tem a ver com ele”, afirmou a presidente ao ser questionada sobre as consultorias milionárias e suspeitas prestadas pelo ministro antes de assumir o cargo. Leia também: Pimentel vai a Genebra mas falta à agenda oficial Dilma indicou o desfecho do caso Pimentel ao ser indagada sobre a semelhança dessa situação com a de Antonio Palocci, ex-ministro da Casa Civil que deixou o governo em situação semelhante ao titular do Desenvolvimento. “Eu não demiti o Palocci, ele quis deixar o governo”, disse a presidente. “Muitos dos que saíram eu considerava com muita capacidade.” Desde o início do mandato, Dilma demitiu seis ministros envolvidos com corrupção. A presidente evitou a palavra “desgaste” ao se referir à queda de seis ministros após escândalos de corrupção. Preferiu usar os termos “dificuldades” e “problemas específicos”. Ela disse que não pode prever demissões de novos ministros, mas fará o possível para que isso não volte a pautar a agenda presidencial. “Vou tomar todos os cuidados, mas é algo de que eu tenho controle relativo.” Ela reafirmou a promessa de ter tolerância zero com a corrupção. Dilma fez as declarações no seu primeiro café da manhã com os jornalistas que acompanham as atividades do Palácio do Planalto, nesta sexta-feira. Também foi a primeira vez que a presidente deixou bem claro que quem manda no governo é ela – e não os partidos da base aliada – e que não haverá reforma ministerial em 2012. O recado foi dado diretamente às legendas da base, sedentas por cargos na Esplanada dos Ministérios. “Os partidos participam da escolha de ministro, mas, a partir do momento em que foi indicado, não presta contas a mais ninguém senão ao governo”, disse a presidente. “Nenhum partido interfere nos critérios internos do governo.” Depois, a presidente tentou aliviar o discurso sobre os aliados dizendo que não é o caso de “ingerência” dos partidos, mas que ela precisa preservar o governo de irregularidades. Disse ainda que algumas pessoas tem a “tentação” de condenar os outros. “Também não posso sair por aí apedrejando e fazendo julgamentos sem direito de defesa, não é um caça às bruxas.” Reforma – Assim como alguns assessores do Planalto já vinham fazendo, a presidente negou que haverá reforma ministerial em 2012. “Não, não me venham com essa, não é isso que faz diferença no meu governo.” Dilma defendeu a manutenção das secretarias da Igualdade Racial e de Políticas para as Mulheres. Nos bastidores falava-se na extinção dessas pastas. Durante a conversa com os jornalistas, a presidente demonstrou que não perdeu velhas manias. Entre elas, a de usar um vocativo típico ao ser questionada sobre assuntos incômodos: “Minha querida” ou “meu querido”. E até no plural: “Minhas queridas e meus queridos”. A presidente, contudo, inovou ao ser indagada pelo site de VEJA se ela gostava do apelido de “faxineira” de ministros corruptos: abriu os braços, fez uma e careta e deixou a sala sem responder à pergunta.

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