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‘Dicas’ da Abin para identificar terroristas viram piada na internet

Comunicado publicado no Facebook diz que pessoas suspeitas utilizam roupas "destoantes das circunstâncias e do clima" e "agem de forma estranha"

Por Eduardo Gonçalves 11 jul 2016, 18h34

Faltando menos de um mês para a Olimpíada, no Rio de Janeiro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) publicou um comunicado em sua página no Facebook, alertando para o que considera atitudes de um potencial terrorista. “Pessoas suspeitas utilizam roupas, mochilas e bolsas destoantes das circunstâncias e do clima. Agem de forma estranha e demonstram intenso nervosismo. Comunique o fato ao agente de segurança mais próximo”. A mensagem vem acompanhada da imagem de uma pessoa com o rosto escondido, casaco de couro marrom, e os punhos fechados, além do e-mail (prevrevencaoaoterrorismo@abin.gov.br) para onde devem ser enviadas as denúncias.

Publicado na última sexta-feira, o comunicado viralizou nesta segunda-feira nas redes sociais, rendendo uma enxurrada de piadas. Não foram poucos os que identificaram a si ou a figuras públicas como potenciais terroristas segundo as orientações um tanto genéricas da Abin. “Primeiramente, se eu estiver no Rio, vou reportar todo mundo de terno e gravata. Terno e calça social, obviamente, não foram destinados às circunstâncias tropicais. Vamo (sic) encher esse email caguetando todo empresário mal vestido em desacordo com a [cidade] maravilhosa”, comentou um usuário do Facebook.

Diante da repercussão – majoritariamente – negativa do post, a Abin publicou uma nota na tarde desta segunda, explicando que a iniciativa visa a “orientar, de forma contínua, todas as camadas da sociedade para que a população sinta-se encorajada a contribuir com os órgãos de segurança na prevenção de ações terroristas”. “O trabalho de prevenção é dificultado por não haver descrição, perfil ou comportamento que possa, de forma simples, direta e inequívoca, identificar um terrorista. No entanto, a combinação de pequenos indícios pode ser evidência de comportamento associado à intenção de prática terrorista”, escreveu a instituição.

No texto, a entidade reafirmou o que alertou na publicação controversa e ainda acrescentou itens à lista de atitudes suspeitas, como flagrar alguém fotografando sistemas de segurança de locais públicos ou tentando se infiltrar em lugares restritos, e sentir odores fortes de substâncias estranhas. “É desejável que a população brasileira perceba a importância da sua proximidade com as áreas de Inteligência e com órgãos de segurança para que se fortaleça, no país, a ‘cultura de segurança’. A comunicação oportuna de situação suspeita pode ser decisiva na detecção antecipada de ação terrorista”, afirmou a Abin.

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