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Deputados e servidores hostilizam Yoani no Congresso

Claque pró-ditadura dos irmãos Castro usou o horário do almoço para tumultuar visita da blogueira cubana a Brasília

A visita de Yoani Sánchez ao Congresso Nacional não contribuiu muito para amenizar a vergonhosa recepção dada à blogueira cubana em visita ao Brasil. Após parlamentares gritarem no microfone do plenário que a dissidente cubana estava atrapalhando os trabalhos da Casa, os ataques se estenderam durante quase toda a audiência onde a jornalista apresentou parte do documentário Conexão Cuba-Honduras. Além dos já esperados protestos de movimentos pró-cubanos, deputados e servidores da Casa ajudaram a completar a confusão em torno de Yoani (veja o vídeo).

Enquanto a cubana discursava no plenário normalmente usado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), um grupo de cerca de vinte pessoas protestava do lado de fora. Gritos de guerra favoráveis à ditadura dos irmãos Castro ecoaram no corredor ao mesmo tempo em que representantes do Movimento de Solidariedade a Cuba e da União Nacional dos Estudantes do Distrito Federal (UNE-DF) sacudiam bandeiras do país. Notas de dólares foram levantadas ao alto e Yoani foi chamada de “mercenária”. “A única coisa que eu sou é Cuba. Puxa-saco de Yoani, não”, disse Zezinho do Araguaia, um dos poucos sobreviventes da Guerrilha dos anos 1970, que esteve no protesto.

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Apesar da confusão, o barulho pouco reverberou dentro da sala. Sabendo disso, um assessor parlamentar prontamente apresentou uma solução aos manifestantes: orientou-os a ocupar outra saída, onde as ofensas a Yoani poderiam ser ouvidas de dentro da audiência. Já alguns servidores optaram por honrar a função de representante do parlamento e se limitaram a mandar os manifestantes voltarem ao trabalho, já que o horário de almoço estava quase no fim. Um pequeno grupo de estudantes resolveu dar as boas-vindas à blogueira: eles erguiam cartazes saudando a cubana e tentaram – sem sucesso – entregar um buquê de flores a Yoani.

O clima acirrado continuou mesmo após a o fim da audiência. O deputado Mendonça Filho (DEM-PE) discutiu com um manifestante do lado de fora da Câmara e, em meio ao o bate-boca, chegou a dar empurrões no defensor do regime cubano. “Ele disse que ia me mapear. Para que ele ia fazer isso? Para me agredir. Então eu disse para ele me agredir aqui”, disse o parlamentar. A confusão foi desfeita com a interferência da Polícia Militar e de funcionários da Câmara. Mesmo após Yoani ter deixado o local – ela seguiu para o Senado -, a claque pró-ditadura continuou o embate verbal com manifestantes contrários ao regime cubano.

Yoani, que no primeiro protesto limitou-se a dizer que as manifestações são democráticas, mostrou espanto com a recepção na Casa. “Foi uma surpresa. Não imaginava que poderia chegar a esse ponto. E a maneira que chegamos, entre multidões e flashes das câmeras, foi muito impressionante”, disse a cubana.