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Deputado bolsonarista favorável a Flordelis tem irmão nomeado na Alerj

Marcio Labre foi o único membro do Conselho de Ética da Câmara que votou contra a cassação da parlamentar

Por Cássio Bruno Atualizado em 9 jun 2021, 18h27 - Publicado em 9 jun 2021, 14h20

O deputado federal Márcio Labre (PSL-RJ), o único dos dezessete membros do Conselho de Ética da Câmara a votar contra a cassação do mandato da também deputada federal Flordelis (PSD-RJ) na última terça-feira 8, tem o irmão nomeado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Sandro da Silveira Labre é assessor parlamentar no gabinete do deputado estadual Renato Zaca (PRTB). Segundo a folha de pagamento da Casa referente a abril – a mais atualizada no Portal da Transparência –, Sandro recebe um salário mensal de 5,1 mil reais líquidos.

“O Sandro é um dos melhores funcionários. É uma coisa de Deus! É um dos que mais trabalham”, justificou a VEJA Renato Zaca. O parlamentar faz parte da tropa de choque do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Rio. Sandro Labre está com Zaca desde abril de 2020, conforme a nomeação publicada no Diário Oficial. Anteriormente, o assessor dava expediente no gabinete de outro deputado da Alerj: Alexandre Knoploch (PSL).

Zaca é o mesmo deputado que já abrigou Luiz Gustavo Botto Maia, ex-advogado do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Maia foi um dos alvos da Operação Anjo no ano passado. De acordo com o Ministério Público, ele tentou enganar promotores e a Justiça no caso da “rachadinha” envolvendo Flávio Bolsonaro e o ex-assessor Fabrício Queiroz. A denúncia do MP afirma que Maia “extrapolou todos os limites do exercício da advocacia” e passou a atuar “de forma criminosa”. Depois do escândalo, o advogado foi exonerado por Zaca.

Após a votação, Marcio Labre divulgou uma nota dizendo que a Câmara “não pode usurpar os poderes da República” e que “o Judiciário ainda não se pronunciou sobre o caso”. “Não é correto determinar a perda do mandato da parlamentar antes de o Judiciário proferir sua decisão”, afirmou Labre, que, em seguida, ressaltou: “Reconheço que existe um conjunto indiciário robusto em desfavor da deputada. A história já nos mostrou que injustiças foram praticadas no passado. Tenho absoluta tranquilidade para me posicionar contrariamente à cassação porque meu voto é refém da consciência do amplo direito de defesa para todos”, disse. E concluiu: “Da mesma forma que fui contrário à prisão de Daniel Silveira, preciso ter coerência com as minhas convicções”.

Com a cassação da deputada aprovada pelo Conselho de Ética por quebra de decoro parlamentar, o caso, agora, irá ao plenário, onde precisará ter maioria simples (ou seja, ao menos 257 deputados) para que ela possa perder o mandato. Os parlamentares terão 90 dias para analisar a situação da deputada. Flordelis é acusada de mandar matar o marido, o pastor Anderson do Carmo, e usar o cargo para interferir nas investigações. Anderson foi morto na madrugada de 16 de junho de 2019, atingido por mais de 30 tiros na garagem da casa onde morava com Flordelis e os filhos.

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