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Conselho de Ética da Câmara vota pela cassação da deputada Flordelis

Parlamentar é ré apontada como mandante da morte do marido, Anderson do Carmo; agora, processo será encaminhado para votação em plenário da Casa

Por Marina Lang Atualizado em 8 jun 2021, 16h53 - Publicado em 8 jun 2021, 16h01

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, por 16 votos contra um, o relatório que pede pela cassação do mandato da deputada federal evangélica Flordelis dos Santos Souza (PSD-RJ) na tarde desta terça-feira, 8. Ela é ré apontada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como a mandante do assassinato do próprio marido, o pastor Anderson do Carmo, em 16 de junho de 2019 na casa de ambos em Niterói, região metropolitana da capital. Agora, o processo irá a votação no plenário da Casa Legislativa. Se aprovado pela maioria absoluta dos deputados – 257 do total de 513 -, Flordelis poderá perder o mandato, os direitos políticos e, também, sua imunidade parlamentar. Quando se tornou ré, a Justiça não decretou sua prisão devido à prerrogativa da função. Ela, que é cantora gospel, é novata na seara política e está em sua primeira legislatura. 

A relatoria do processo na comissão foi feita pelo deputado Alexandre Leite (DEM-SP), que não poupou críticas à colega. “Se existisse o crime de estelionato eleitoral, ele estaria baseado no seu caso. Escândalos sexuais, adoção à brasileira, rachadinha… O grande segredo desse relatório foi não se perder em meio a tantas provas robustas”, declarou o relator durante a sessão. “No relatório cito a questão de Anderson do Carmo ser, efetivamente, o deputado de fato, o 514º parlamentar, como ele era conhecido. Os fatos corroboram a atuação legislativa: de 2019 até a presente data, a deputada não consegue exercer de forma plena o seu mandato – à época [até junho de 2019]  porque Anderson comandava o mandato, agora porque está o usando para se defender ao atrapalhar investigações e ao coagir testemunhas. Somado a todo esse contexto narrado no relatório, não tenho como não dizer que a representatividade do povo do Rio de Janeiro está em xeque”, disse ele. 

Tanto à justiça quanto à Câmara, a deputada evangélica alega inocência. Seis dos seus 55 filhos – quatro deles biológicos e 51 adotivos – estão presos acusados de participação no complô que levou ao assassinato do pastor na garagem de casa. Ele levou seis tiros e teve seu corpo crivado com 30 perfurações (de entradas e reeentradas das balas), parte delas na região genital. Em sua primeira versão, a família alegou ter sido vítima de latrocínio. Dias depois, Flávio dos Santos, 39, filho biológico de Flordelis, confessou ter atirado em Anderson do Carmo. A arma, uma pistola calibre 9mm encontrada em cima de um armário de Flávio, teria sido adquirida pelo filho adotivo Lucas Cezar dos Santos, 19. Em agosto do ano passado, a polícia do Rio concluiu o inquérito e apontou Flordelis como mandante da morte do próprio marido.   

O processo de quebra de decoro parlamentar na Câmara ficou parado devido à pandemia do coronavírus – as comissões foram dissolvidas durante o ano passado e retomadas em março deste ano, quando a ação contra a deputada no Conselho de Ética começou a tramitar. Desde a morte do marido, a cantora gospel viu seu império neopentecostal desmoronar. Como VEJA mostrou em fevereiro, dos seis templos em funcionamento – havia mais um em construção à época do assassinato de Anderson do Carmo -, restou apenas um em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. A parlamentar vinha tentando colar sua imagem a figuras políticas proeminentes da situação, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e a primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ainda não há data marcada para a votação em plenário, que deve ser levada a plenário pelo próprio Lira. 

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