Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Deputado ajudou doleiro a chegar à Petrobras, segundo PF

Mensagens trocadas entre Youssef e o deputado Luiz Argôlo indicam que parlamentar teria agendado reunião entre doleiro e diretor da estatal

A Polícia Federal, durante investigações da Operação Lava-Jato, interceptou uma troca de mensagens entre o doleiro Alberto Youssef, apontando como mentor do esquema de lavagem de dinheiro, e o deputado federal Luiz Argôlo (SDD-BA). Nas mensagens trocadas entre eles, no dia 18 de setembro de 2013, Argôlo teria agendado uma reunião entre Youssef e o diretor de abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza.

Cosenza substituiu o engenheiro Paulo Roberto Costa, em 2012. Costa foi preso pela PF no dia 20 de março de 2014. Ele e Youssef são apontados como os líderes de uma organização criminosa que teria se infiltrado na Petrobras para desvio de recursos e corrupção. A Lava-Jato investiga um esquema de lavagem de dinheiro que pode chegar a 10 bilhões de reais.

Saiba mais:

Fornecedores da Petrobras sob suspeita financiaram campanha de 121 parlamentares em atividade

A PF investiga outros funcionários da estatal. A longa sequência de contatos entre Argôlo e o doleiro faz parte de Relatório de Monitoramento Telemático enviado ao Supremo Tribunal Federal, instância que tem competência para investigar parlamentares. Entre 14 de setembro de 2013 e 17 de março de 2014 o deputado e o doleiro trocaram 1.411 mensagens. Youssef trata o deputado por “LA” e este o chama de “Primo”.

Eles citam o diretor de abastecimento da Petrobras. Às 11h36 do dia 18 de setembro Youssef diz que “já liga” para Argôlo porque “está terminando uma reunião na prefeitura de Cubatão (SP)”. O deputado comenta que está com o substituto de “PR” – para os investigadores uma “provável referência à pessoa que substituiu Paulo Roberto Costa na Petrobras, José Carlos Cosenza”.

Leia também:

Deputado Luiz Argôlo recebia dinheiro de doleiro, diz PF

O deputado pergunta ao doleiro se ele “tem algum assunto” para tratar com o diretor da Petrobras. “Temos vários assuntos lá”, responde Youssef, “possivelmente referindo-se à Petrobras e às diversas operações de desvio de recursos que envolveriam as empresas de fachada utilizadas para distribuir o dinheiro ilegal”.

A PF não imputa atos ilícitos a Cosenza, mas seu nome consta do relatório. “Em seguida, aproveitando-se da proximidade de LA possivelmente com o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, Cosenza, solicita que LA passe a seguinte mensagem: Diga a ele que você precisa fazer uma visita a ele para que te ajude com um amigo.”

“Existem indícios de que LA agendou uma reunião entre Youssef e Cosenza, possivelmente para tratar de algum assunto relacionado às operações de Youssef junto à empresa”, afirma o relatório da PF.

Aconselhamento político – Youssef também dava conselhos políticos a Argôlo. No dia 9 de outubro, o deputado perguntou ao doleiro se deveria aceitar a vice-liderança do Solidariedade ou se aceitava participação na Comissão de Orçamento da Câmara. “Pega a vice-liderança, você vai estar o tempo todo com o governo”, aconselhou Youssef. “A Comissão de Orçamento é também muito boa, mas deve ser escolhida em outro momento, pois agora o importante é estar perto do governo”, respondeu o doleiro.

Procurado para responder sobre as mensagens trocadas e a relação que mantém com Youssef, Argôlo não foi localizado ontem. A Petrobras, em nota, declarou. “O diretor José Carlos Cosenza não conhece Alberto Youssef. Ele não manteve contato com o deputado Luiz Argôlo”.

(Com Estadão Conteúdo)