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Deputada do PSL diz que foi ameaçada por ministro e Janaína exige demissão

Segundo jornal, Alê Silva confirmou à PF esquema de candidaturas laranjas; Marcelo Álvaro afirma que acusação é motivada por disputa de poder no partido

A deputada estadual por São Paulo Janaína Paschoal (PSL), notória por ser a responsável pelo pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), cobrou do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a demissão do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Investigado pela suspeita de comandar um esquema de candidatas-laranjas no diretório de Minas Gerais do PSL, que presidiu durante o pleito do ano passado, Álvaro Antônio teria cogitado atentar contra a vida da deputada federal Alê Silva (PSL-MG).

Na quarta-feira, 10, segundo reportagem do jornal Folha de S.Pauloa deputada prestou um depoimento espontâneo à Polícia Federal sobre o caso. De acordo com o jornal, Alê Silva confirmou a existência do esquema no diretório mineiro do partido, ao qual o próprio presidente da República é filiado, e solicitou proteção policial. Ela afirmou ter recebido a informação de que, em uma reunião com correligionários no mês passado, o ministro a ameaçou de morte.

“Todo meu apoio à deputada federal Alê Silva. E agora, presidente? O Ministro do Turismo fica? A deputada federal eleita também estaria mentindo? Exijo a demissão do Ministro! Não tem que esperar conclusão de inquérito nenhum!”, escreveu Janaína Paschoal, em sua conta no Twitter. “Como é que pode uma situação dessas e o Presidente não tomar providências? Não pode!”, completou.

De acordo com o jornal, Alê Silva afirmou, em entrevista, ter descoberto o esquema de candidatas-laranjas no PSL mineiro após o pleito de outubro do ano passado. Temendo represálias na legenda, a deputada afirmou ter enviado os documentos que tinha a uma associação, que protocolou uma representação ao Ministério Público sobre o ministro.

‘Campanha difamatória’

Procurado pela Folha, o ministro Marcelo Álvaro Antônio afirmou que vai aguardar o resultado das investigações e que a deputada Alê Silva comanda “uma campanha difamatória baseada em sua frustração pessoal” e estaria relacionada às disputas para o comando do PSL em Minas Gerais.

Pela argumentação de Marcelo Álvaro, a sua nomeação como ministro do Turismo pelo presidente Jair Bolsonaro abriu espaço para que seu suplente, o deputado Enéias Reis (PSL-MG), assumisse uma vaga na Câmara. Como foi mais votado que Alê em algumas cidades, Enéias ganharia, com isso, direito a indicar ocupantes de cargos no PSL.

“É incompreensível que uma briga partidária municipal fique ganhando espaço na mídia nacional e, o pior, criando factoides e dando desnecessário trabalho a instituições sérias, ocupadas e comprometidas, como é a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça. Como disse, reafirmo: aguardo com serenidade a conclusão das investigações.”