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Defesa de Lula rebate carta e diz que Léo Pinheiro ‘fabricou’ versão

Empreiteiro nega ter sofrido pressão de procuradores para incriminar o ex-presidente, mas advogados do petista apontam contradições

Por Leonardo Lellis Atualizado em 4 jul 2019, 12h53 - Publicado em 4 jul 2019, 12h46

A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu, nesta quinta-feira, 4, uma carta do empreiteiro Léo Pinheiro em que ele nega ter sofrido pressão dos procuradores da Operação Lava Jato para prestar depoimentos que foram considerados provas no processo do tríplex do Guarujá, que culminou com a condenação do petista. Para o advogado Cristiano Zanin Martins, o empreiteiro “fabricou” uma versão para incriminar Lula em troca de benefícios negociados com procuradores.

Diálogos obtidos pelo site The Intercept Brasil e divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo no último domingo mostram que os procuradores do Ministério Público Federal desconfiaram do empreiteiro durante quase todo o tempo em que se dispôs a colaborar com as investigações — a situação só mudou depois que ele resolveu incriminar Lula.

“Não optei pela delação por pressão das autoridades, mas sim como uma forma de passar a limpo erros que cometi ao longo da minha vida. Também afirmo categoricamente que nunca mudei ou criei versão e nunca fui ameaçado ou pressionado pela Polícia Federal ou Ministério Público Federal”, afirma Léo Pinheiro na carta.

A defesa do ex-presidente, entretanto, diz que, antes de incriminar Lula, em outubro de 2016, o empreiteiro sequer reconhecia a legitimidade do processo do tríplex, porque o MPF repetia uma acusação a que ele já respondia. Também indica uma petição de fevereiro de 2017, também anterior ao depoimento de Léo Pinheiro, em que a OAS Empreendimentos informa que não localizou “contratações ou doações para ex-Presidentes da República, tampouco para institutos ou fundações a eles relacionadas”.

  • “Léo Pinheiro foi pressionado a apresentar uma narrativa incriminadora contra Lula por uma só razão: após ouvir 73 testemunhas de defesa e de acusação, o ex-juiz Sergio Moro não dispunha de um fiapo de prova para impor a Lula a sentença condenatória que estava predefinida desde o início do caso”, diz Zanin Martins, que sustenta que o depoimento usado contra Lula foi prestado “sem compromisso da verdade”, porque o empreiteiro também era réu.

    Os advogados de Lula também relembram que, ao depor, o empreiteiro disse que havia recebido orientação de seus advogados ao ser indagado se seu comportamento havia mudado. “Léo Pinheiro disse que teria negociado o “triplex” com João Vaccari, mas este último, em carta manuscrita posteriormente anexada aos autos, negou peremptoriamente qualquer solicitação ou recebimento do imóvel em nome próprio ou em nome de Lula; o que se tem, portanto, é a palavra de Léo Pinheiro contra a palavra de João Vaccari”, acrescentam.

    A defesa também reafirma que o imóvel foi cedido em garantia a um fundo administrado pela Caixa e que a transferência do apartamento só seria possível se o banco fosse pago. Os advogados de Lula acrescentam que, em uma ação trabalhista, um ex-executivo da empresa sustenta que Leo Pinheiro e outras pessoas ligadas a ele pagaram valores em dinheiro para outros executivos que teriam alinhado suas delações na Lava Jato de acordo com os interesses da OAS — do seu lado, a empresa nega.

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