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Dante Mantovani: “Regina Duarte é a famosa figura decorativa”

O maestro que foi nomeado e desnomeado duas vezes para a Funarte diz que a secretária nacional de Cultura não tem projeto para a área

Por Eduardo F. Filho Atualizado em 15 Maio 2020, 14h02 - Publicado em 15 Maio 2020, 06h00

Há duas semanas, o senhor foi chamado pela segunda vez para presidir a Funarte, mas acabou exonerado poucas horas depois. Como lidou com isso? Em um primeiro momento, fiquei surpreso. Mas tudo é do jogo político. São coisas normais do dia a dia ser chamado pelo governo e ser exonerado. É como uma demissão normal.

Normal? Pela primeira vez na história da República recente uma pessoa é chamada para o mesmo cargo duas vezes. Mas até mesmo o Alexandre Ramagem foi exonerado em pouco tempo, depois de ser nomeado diretor da Polícia Federal. É coisa corriqueira.

Qual sua avaliação da gestão da secretária nacional de Cultura, Regina Duarte? Está claro que a dona Regina não tem nenhum projeto para a cultura. Ela é totalmente despreparada para isso. Quando eu assumi a Funarte da primeira vez, em dezembro de 2019, recebi um áudio do presidente Bolsonaro em que ele dizia querer resultados e que não falássemos com a imprensa. Regina é uma pessoa influenciável. Todos os que trabalham com ela em Brasília sabem disso. Regina afirma que é aberta ao diálogo, mas nunca me recebeu no gabinete, nunca se dirigiu a mim. Ela está fazendo um ótimo trabalho de atriz. É a famosa figura decorativa.

Se tivesse dialogado com ela, a história seria diferente? Meus projetos salvariam o emprego dela. Eles são impactantes, bons e, o mais importante, favoráveis ao presidente — coisa que ela não tem a apresentar. Os aliados de Regina são contrários ao presidente e querem derrubá-lo. Só fui reconduzido para a Funarte porque esse trabalho chegou ao presidente e ele gostou dos projetos.

A secretária disse que parou de ler livros de Olavo de Carvalho por conterem palavrões. Como discípulo dele, o senhor ficou bravo? Isso mostra que a Regina não leu nada do Olavo, nem a orelha dos livros. Dou 1 milhão de dólares a quem encontrar um palavrão nos livros dele.

O senhor ficou conhecido pelo vídeo em que afirma que “o rock leva ao aborto e ao satanismo”. Se arrepende do que disse? Olha, isso tudo foi um erro. As pessoas não viram o vídeo completo, pegaram apenas uma parte dele e falaram essas coisas errôneas. Minha carreira musical começou no rock, eu já toquei em uma banda. Adoro cantar rock, tenho até vídeos que comprovam isso. Amo Pink Floyd, Iron Maiden, Metallica, Sepultura. Rock bem pesadão. No vídeo, cito o livro de um pastor americano que afirma essas coisas. Não fui eu: isso é obra da esquerda, que queria me tirar do governo.

Caso o presidente o convoque novamente para a Funarte, estará de prontidão? O raio não cai no mesmo teto duas vezes. Estava fazendo minhas coisas aqui numa boa quando fui chamado de novo e aceitei. Agora, eu pensaria pelo menos três vezes antes de aceitar o pedido do presidente.

Publicado em VEJA de 20 de maio de 2020, edição nº 2687

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