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Cunha sobre a Lava Jato: ‘A porta de casa está aberta’

Um dia após a PF vasculhar as casas e empresas de parlamentares, presidente da Câmara ironiza: 'Acordo às 6h. Que não cheguem antes'

Por Marcela Mattos 15 jul 2015, 17h26

Enquanto o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), articula uma ofensiva contra o cerco da Polícia Federal a políticos investigados no petrolão, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tratou com ironia a possibilidade de ser o próximo alvo dos policiais: “A porta da minha casa está aberta, vão a hora que quiser. Podem olhar o que quiser”, disse o peemedebista nesta quarta-feira. “Eu acordo às 6 horas. Que não cheguem antes para não me acordarem”, emendou.

Cunha e Calheiros são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no esquema de corrupção na Petrobras. Nesta terça, a corte autorizou os primeiros mandados de busca e apreensão contra parlamentares, entre eles o senador Fernando Collor (PTB-AL), o que elevou a tensão entre os 34 congressistas que respondem a inquérito no Supremo.

Apesar de adotar um tom de serenidade, Cunha desabafou a aliados que espera ser denunciado pela procuradoria, conforme reportagem da Folha de S. Paulo desta quarta. Isso porque o peemedebista foi avisado de que o empresário Júlio Camargo, que antes havia negado a participação dele na Lava Jato, mudou a versão no depoimento.

Como retaliação ao Planalto, o presidente da Câmara prepara, nos bastidores, a instalação de novas comissões parlamentares de inquérito (CPIs), entre elas a do BNDES. Em entrevista nesta tarde, Cunha disse que não dá para acusar o governo de ser responsável pelos desdobramentos da Lava Jato. Mas ponderou: “Pelo espetáculo, talvez se possa a acusar”.

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