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Cunha: ‘Não existe pauta de vingança’

No Twitter, deputado afirma que apenas continuará com sua atuação de “independência e harmonia” à frente da Câmara dos Deputados

Em uma série de notas postadas no seu perfil no Twitter neste sábado, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, mencionou as polêmicas nas quais se viu envolvido no decorrer da semana. Disse que não está trabalhando com uma “pauta de vingança” contra o governo, mas também afirmou que não faz parte de seu “histórico” ajudar a “implementar o caos na economia”, sugerindo oposição às medidas econômicas do governo.

O fato de ter anunciado sua ruptura com o governo não implicará medidas contra o governo. Cunha escreveu: “Não há pauta de vingança, nem pauta provocada pela minha opção pessoal de mudança de alinhamento político”. Sobre a mudança de posição política, em que pese o fato de seu partido, o PMDB, manter-se como aliado do governo, Cunha escreveu um texto que mais confunde do que esclarece: “O que existe é eu como político e deputado exercer a minha militância defendendo a posição diferente do que defendia antes”.

Tuíte do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) Tuíte do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Tuíte do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) (/)

Ao afirmar que não tinha planos de bater de frente com o governo, Cunha escreveu que apenas continuará com sua atuação de “independência e harmonia” à frente da Câmara dos Deputados. Não fez qualquer menção aos dois pedidos de CPI que já autorizou, ambas incômodas para o governo, nem à solicitação que fez aos deputados para que atualizassem os pedidos de impeachment de Dilma Rousseff que apresentaram à mesa da Câmara.

Sobre a acusação de que extorquiu 5 milhões de dólares do lobista Júlio Camargo, Cunha voltou a negar qualquer envolvimento no episódio. Disse que não fugia de “nenhuma explicação”, mas não acrescentou explicação nenhuma. Voltou a manifestar estranheza quanto ao fato de que o juiz Sérgio Moro, que comanda a operação Lava Jato em Curitiba, tomou o depoimento de Júlio Camargo sem interrompê-lo quando mencionou Eduardo Cunha, que tem direito a foro privilegiado. Escreveu: “Ele (referindo-se a Moro) não poderia dar curso à participação minha”. Cunha disse que seus advogados vão apresentar uma reclamação sobre o assunto junto ao Supremo Tribunal Federal.

Cunha também negou que tenha alertado o vice-presidente Michel Temer de que seria a próxima vítima dos delatores da operação Lava Jato. Escreveu: “Isso não faz parte dos nossos diálogos”. Na realidade, Cunha esteve com Temer na quinta-feira passada, quando fez o alerta ao vice-presidente, segundo informou o colunista de VEJA Lauro Jardim. Em resposta ao aviso de Cunha, Temer disse: “Impossível, Eduardo, porque eu sequer conheço qualquer um desses delatores que estão te atacando”.

(Da redação)