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Comparsas de Cachoeira vão à CPI nesta quinta-feira

Wladimir Garcez, Jairo Martins e 'Dadá' Araújo têm depoimento marcado. E a expectativa é de mais silêncio. Na melhor das hipóteses, apenas um falará

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges 24 Maio 2012, 07h46

A CPI do Cachoeira ouve nesta quinta-feira três comparsas de Carlinhos Cachoeira, todos presos por envolvimento no esquema que comandava a máfia dos caça-níqueis em Goiás: o ex-vereador Wladimir Garcez, peça atuante da quadrilha, e os arapongas Jairo Martins e Idalberto Matias de Araújo, o Dadá. A audiência está marcada para as 10h15.

A expectativa de que o trio resolva responder as perguntas dos parlamentares é pequena. Mas há sinais de que um dos convocados, Garcez, está disposto a falar – não tudo o que sabe, mas aquilo que acredita poder aliviar sua situação. De Dadá e Jairo, os parlamentares aguardam apenas o silêncio.

No depoimento de Carlinhos Cachoeira, na terça, muitos integrantes da CPI não abriram mão das perguntas, mesmo depois de ter ficado claro que o contraventor não falaria. A postura dos deputados e senadores recebeu críticas porque eles estariam “entregando o ouro” aos advogados do contraventor – a expectativa é de que Cachoeira volte à comissão no mês que vem.

Ciente de que o risco pode se repetir, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), quer que a CPI dispense os depoentes nesta quinta assim que eles anunciem a intenção de ficarem calados. Vital pediu ao senador Pedro Taques (PDT-MT) que apresente aos colegas essa proposta na reunião desta quinta.

“Esse seria o ideal. A gente poderia fazer isso se não fosse aquelas luzinhas acesas”, ironiza o presidente da comissão, em referências às câmeras de TV. De fato, os integrantes da CPI não perdem uma oportunidade de usar a palavra diante das câmeras, o que dificulta um acordo para que os parlamentares dispensem as testemunhas silenciosas de imediato e transformem o encontro em uma reunião administrativa.

Se os depoentes não colaborarem, a ideia de Vital é aproveitar a quinta-feira para votar novos requerimentos de convocação e quebra de sigilo. Outra consequência do possível silêncio dos aliados de Cachoeira é uma mudança no cronograma da CPI para as próximas sessões. A comissão pode passar a priorizar, na lista de convocados, aqueles que demonstrarem disposição para falar.

Gurgel – Também na sessão desta quinta-feira, a CPI deve discutir a resposta enviada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ao pedido de informações remetido pela Comissão Parlamentar de Inquérito. O documento chegou à comissão na noite desta quarta. Gurgel alega que os dados e interceptações telefônicas contidos inicialmente na operação Vegas contra autoridades como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) não permitiram constatar a existência de crimes. O chefe do Ministério Público Federal foi cobrado pela CPI a explicar, por escrito, porque demorou cerca de três anos para apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de abertura de inquérito contra Demóstenes.

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