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Comemoração do golpe de 64 termina em tumulto

Militantes de partidos de esquerda tentaram impedir um evento fechado, organizada por militares da reserva

Por Da Redação - 29 mar 2012, 18h16

Uma comemoração pela passagem dos 48 anos do golpe militar de 1964, organizada por militares da reserva, terminou em confusão e pancadaria no Centro do Rio de Janeiro. Cerca de 350 manifestantes – entre eles militantes do PT, do PCdoB, do PSOL e de outros partidos de esquerda – bloquearam o acesso ao Clube Militar, e tentaram impedir a saída dos participantes do evento – um painel intitulado “1964 – A Verdade”. A Polícia Militar foi chamada para garantir a segurança dos convidados.

Empunhando cartazes que denunciavam perseguições, tortura e mortes ocorridas durante o regime militar, os militantes xingavam os militares de “porcos”, “assassinos”, covardes”. A PM usou gás de pimenta e bombas de efeito moral, e os manifestantes revidaram com ovos. Foi organizado um corredor para permitir que os militares deixassem o evento em segurança. Miriam Caetano, de 33 anos, foi ferida na barriga. Três pessoas foram detidas.

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Segundo testemunhas, a confusão começou quando um dos militares pegou o celular de um manifestante, que reagiu. Começou um empurra-empurra, e o estudante de Ciências Sociais Antônio Canha, de 20 anos, foi atingido pela descarga de uma pistola Taser. A escadaria do Clube Militar recebeu um banho de tinta vermelha – alusiva ao “sangue dos mortos pela ditadura”.

O Clube Militar fica no final da Avenida Rio Branco, próximo à Cinelândia, uma das regiões mais movimentadas da cidade. A manifestação fechou a via por dez minutos, provocando um nó no trânsito, que normalmente já é lento na direção Centro-Zona Sul na hora do rush vespertino. A Rio Branco só foi liberada por volta das 19h.

A manifestação foi convocada através do Facebook, por um autointitulado “Grupo Organizador do Ato Contra a Comemoração do Golpe de 64”, que defende a “instauração imediata da Comissão da Verdade com o único propósito de se tornarem públicas as violações de Direitos Humanos que foram cometidas na ditadura militar”. O panfleto que circulou pelas redes sociais defende que “os torturadores da ditadura militar sejam desmascarados de uma vez por todas”, e convoca para o ato “em memória dos torturados e desaparecidos de outrora homenageando única e exclusivamente a verdade”. Até a manhã desta quinta-feira, três mil pessoas haviam confirmado presença.

Partidos – Os diretórios do PT e PSOL no Rio de Janeiro informaram não ter participado da convocação da manifestação. O presidente do PT do município do Rio, Alberes Lima, disse que, em sua opinião, a manifestação “não leva a lugar algum”.

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A deputada estadual Janira Rocha, presidente do diretório estadual do PSOL, disse que o partido é “contrário a qualquer atitude antidemocrática”, e que soube do ato na tarde desta quinta-feira. “Lamentamos o clima pesado. Mesmo com as posições estando acirradas, com grau mínimo de interlocução, é possível fazer a manifestação de forma tranquila”, disse Janira.

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