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Com Bolsonaro isolado, filhos do presidente partem para o ataque

Em meio à crise do coronavírus, Flávio, Eduardo e Carlos intensificam ofensiva nas redes sociais contra aqueles que consideram adversários do pai

Por Redação - Atualizado em 27 mar 2020, 10h55 - Publicado em 26 mar 2020, 18h19

O isolamento político de Jair Bolsonaro em meio à crise provocada pelo coronavírus catalisou uma ofensiva dos filhos do presidente em defesa do seu governo. Nos últimos dias, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) intensificaram os ataques contra todos aqueles que eles consideram ser inimigos do pai, sejam eles governadores ou jornalistas. Pior: Carlos, que deveria estar no Rio, se encontra em Brasília participando até de reuniões com a alta cúpula do governo federal.

O pronunciamento de Bolsonaro em rede nacional tem as digitais de Carlos e dos seus asseclas do chamado “gabinete do ódio”, onde funcionários pagos com dinheiro público monitoram a popularidade do presidente em redes sociais e gerenciam perfis destinados a atacar os críticos. O teor do discurso, com ataques a governadores e à imprensa, foi pensado com a ajuda desses assessores do núcleo ideológico do governo. Bolsonaro encomendou o texto após ter se irritado com os governadores do Norte e do Nordeste em videoconferências realizadas na segunda-feira, 23. Ele ficou incomodado com os pedidos feitos por gestores de estados que ainda não alcançaram números expressivos de casos de coronavírus.

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Carlos, inclusive, esteve em reuniões de Bolsonaro com ministros e nas videoconferências com os governadores das regiões Norte, Nordeste e Sul, conforme consta na agenda oficial do presidente. O filho Zero 02 também se reuniu com o pai junto do irmão Flávio e de dois antigos aliados que ganharam cargos no governo: Gilson Machado, presidente da Embratur, e Nabhan Garcia, secretário de assuntos fundiários.

Em seu perfil no Twitter, Carlos manteve a rotina de ataques à imprensa e aos governadores, centrando fogo principalmente no paulista João Doria (PSDB). Nas mensagens cifradas que publica, o vereador continua insistindo na teoria de que existe um movimento coordenado para tirar Bolsonaro do poder.

O senador Flávio também intensificou a atividade online. Ele abandonou neste ano a postura discreta que havia adotado após o início da investigação sobre o seu envolvimento num esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio. Em postagens recentes, Flávio defendeu a presença de Carlos nas reuniões em Brasília e atacou a imprensa. “Fique em casa. No final do mês, a Rede Globo vai pagar suas contas”, diz uma imagem postada pelo senador, que é contrário às medidas protetivas que especialistas defendem para impedir a disseminação do coronavírus.

Já Eduardo, entre um xingamento e outro à imprensa, tratou de isentar o governo federal da crise econômica que será provocada pelo coronavírus, prevendo um cenário de caos social em que desempregados se revoltarão contra os governadores que adotaram medidas como o fechamento de estabelecimentos comerciais. “Não esqueçam da imprensa que trabalha aberta ou veladamente pela sua retirada”, escreveu o filho Zero 03 para arrematar a teoria conspiracionista de que há um golpe em curso contra Bolsonaro.

As redes sociais são importantes para manter mobilizada a base mais fiel ao presidente. Um grupo de estudos da FGV tem constatado que há um crescente isolamento dos bolsonaristas mais radicais na internet. Após o pronunciamento do presidente em rede nacional, a FGV identificou pela primeira vez uma união entre grupos de usuários considerados de “esquerda” com aqueles “não alinhados” a nenhum espectro ideológico. As manifestações, no caso, eram em repúdio ao discurso de Bolsonaro, cuja base de apoio teve participação de 6% a 8% num debate formado por 6 milhões de postagens no Twitter.

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