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Com atraso, Rio inaugura primeiro piscinão contra enchentes

Prefeito Eduardo Paes afirma que Praça da Bandeira ainda não está livre das inundações. E avisa: com chuvas fortes, cidade continuará refém dos alagamentos

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro - 29 dez 2013, 18h29

Com pelo menos seis meses de atraso, foi inaugurado neste domingo o piscinão da praça da Bandeira, uma das obras propagandeadas como solução para as enchentes numa região do Rio de Janeiro que sempre alaga com as chuvas. As inundações chegam a paralisar o trânsito de veículos em um dos principais pontos de ligação da Zona Norte com o Centro e a Zona Sul da Cidade. No lançamento da obra – que ainda não está 100% concluída – o prefeito Eduardo Paes (PMDB) admitiu que os problemas de drenagem do local ainda estão longe de serem resolvidos.

Paes disse que esse único reservatório não vai acabar com as enchentes na região. Será preciso esperar a conclusão de outros quatro reservatórios na região da Tijuca, além do desvio do curso do rio Joana para a Baía de Guanabara.

“Esse piscinão não vai acabar com enchentes na região. Começa a minimizar o problema. Mas se tiver chuva forte neste verão, a praça da Bandeira ainda está sob risco de alagamento”, disse Paes.

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Se o carioca não está livre dos transtornos, pelo que afirmou Paes, pelo menos os turistas e delegações da Copa do Mundo de 2014 podem respirar aliviados. O prefeito disse estar certo de que durante a Copa e a Olimpíada, em 2016, não haverá inundações – muito disso se deve, claro, à época em que ocorrem os eventos, nos meses de junho a agosto, período de poucas chuvas no Sudeste. A expectativa do prefeito ignora o fato de que o período de chuvas sempre pode surpreender. Em abril de 2010, a cidade foi castigada por fortes temporais logo no começo do outono. Na falta de uma garantia de solução, Paes também recorreu ao discurso fatalista normalmente adotado por governantes, de que um volume de chuva muito elevado jamais poderá deixar de causar transtornos. “Para as chuvas muito fortes, não vai ter obra que dê solução”, disse. Paes, e os demais governantes, falam de uma variável incontrolável, a chuva, mas não mencionam a parte administrável do problema: as inundações sempre vão ocorrer em alguns locais, mas as mortes têm ocorrido onde não deveria haver construções, como em ocupações clandestinas de encostas ou nas margens de rios.

O objetivo do piscinão da Praça da Bandeira é armazenar o excesso de água das redes pluviais da região em reservatórios – como já ocorre em São Paulo. A vazão será controlada pelo Centro de Operações da Prefeitura do Rio, para minimizar alagamentos. No fim da manhã deste domingo, foi feita uma simulação, na presença de jornalistas, em que três caminhões-pipa foram utilizados para lançar 2 milhões de litros de água no reservatório. As três bombas de drenagem chegaram a ser acionadas, mas o prefeito não esperou o teste ser concluído. Paes estava animado e saiu da visita subterrânea direto para posar para fotos com operários da construtora OAS, responsável pela obra, e discursar sobre a inauguração.

A obra ainda está incompleta. O local vai servir de canteiro de obras para guardar material de construção dos outros reservatórios da Tijuca. A restauração da Praça da Bandeira só deve ocorrer no começo de 2016. Apenas o reservatório subterrâneo está em funcionamento, segundo a prefeitura.

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O presidente da Rio-Águas, Marcelo Sepúlveda, órgão municipal que administra o reservatório, estimou que esvaziar o piscinão inteiro (18 milhões de litros) demoraria seis horas. O projeto de controle de enchentes da Grande Tijuca, que é composto por cinco piscinões, foi orçado inicialmente em 292 milhões de reais. Mas até o momento foram gastos apenas 30% desse orçamento, de acordo com o secretario municipal de obras do Rio, Alexandre Pinto. O próximo reservatório a ser inaugurado será o da Praça Niterói – ainda sem prazo para entrega. Os demais piscinões são o da Praça Varnhagem (para evitar o transbordamento do rio Maracanã), do Alto Grajaú (rio Jacó) e da Rua Heitor Beltrão (rio Trapicheiros).

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