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Com afastamento de Cunha, Conselho de Ética ‘respira aliviado’, diz presidente

José Carlos Araújo diz que agora não há medo de manobras. Processo contra Cunha é o mais duradouro da história do colegiado, criado em 2001

O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara José Carlos Araújo (PR-BA) disse nesta quinta-feira que a suspensão do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato parlamentar garante que o colegiado “respire aliviado” e possa dar continuidade ao processo de cassação do peemedebista “sem medo de uma manobra aqui ou acolá”.

“O Conselho vai trabalhar com mais tranquilidade, vai trabalhar sem sobressalto, sem medo de ter uma manobra aqui ou acolá. A essa altura acho que uma manobra não vai mais acontecer”, disse Araújo. O parlamentar disse acreditar que, com o afastamento de Cunha, testemunhas de acusação antes reticentes em prestar depoimento podem ser ouvidas nesta etapa final de instrução. Eduardo Cunha havia indicado nove testemunhas de defesa. A acusação, outras oito.

“Receio que alguma testemunha de defesa possa ter desistido de depor e agora pode aceitar”, disse. Segundo Araújo, o Conselho de Ética já está em tratativas para que novas testemunhas possam depor para embasar as suspeitas de que Eduardo Cunha quebrou o decoro parlamentar por mentir à CPI da Petrobras ao afirmar que não tinha contas bancárias no exterior. “O Conselho de Ética respira um pouco mais aliviado”, disse.

O processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética já deixou sua marca: é o mais duradouro da história do colegiado, criado em 2001. A tramitação recorde de seis meses também deixa outros legados. Palco de uma dura disputa entre aliados e opositores do peemedebista, o órgão que deveria ser o espelho da moralidade na Casa transformou-se em um circo político, protagonizando cenas de selvageria, conchavos e até revelações de embriaguez por parte de um congressista.

A ação por quebra de decoro contra Cunha foi apresentada em meados de outubro e, desde então, é alvo de sucessivas manobras, algumas delas orquestradas pelo próprio comando da Câmara dos Deputados. Partiram da vice-presidência as três decisões que foram determinantes para a demora dos trabalhos: a destituição de um relator favorável à admissibilidade, a anulação do parecer que dava continuidade aos trabalhos e, ainda, a imposição de um limite às apurações, deixando de fora boa parte do que a Operação Lava Jato já trouxe à luz sobre o envolvimento de Eduardo Cunha no esquema de corrupção da Petrobras. Hoje, com a decisão do STF, o vice Waldir Maranhão (PP-MA) assumiu interinamente a presidência da Câmara dos Deputados.