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Ciro Gomes chama Temer de ‘capitão do golpe’ contra Dilma

Contrário ao processo de impeachment deflagrado na Câmara, ex-ministro do governo Lula disse que é preciso "engolir" os "abusos" da gestão atual pela preservação da democracia

Por Da Redação - 6 dez 2015, 17h01

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) chamou neste domingo o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), de “capitão do golpe” do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, deflagrado na semana passada na Câmara dos Deputados. A acusação foi feita durante entrevista coletiva no Palácio dos Leões, sede do governo maranhense, em que Gomes, ao lado do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e do governador do Maranhão, Flávio Dino, saiu em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff.

“Perguntem qual é a opinião do Michel Temer, vice-presidente da República, sobre o fato de seu companheiro, amigo, parceiro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter contas na Suíça, ser denunciado por crime de formação de quadrilha, de roubo do dinheiro público. Ele não tem uma opinião. Por quê? Porque é íntimo parceiro. E não por acaso o beneficiário imediato dessa ruptura da democracia e dessa imensa e potencial crise para 20 anos. É ele mesmo o senhor Michel Temer, o capitão do golpe”, afirmou Gomes.

O ex-ministro da Integração Nacional do governo Lula afirmou que o processo de impeachment tem sido tocado por um “grupo de mafiosos” que estão se utilizando de “protocolos formais” para derrubar a democracia brasileira. Para ele, o “golpe” não tem sido orquestrado apenas pelo PMDB, mas por grupos internacionais de interesses conservadores e reacionários que “cobiçam o petróleo brasileiro”. Nesse contexto, Ciro defendeu que é preciso “engolir” os “abusos” do governo atual, em nome da preservação da democracia.

“Três anos de um governo que a gente não gosta passam num piscar de olhos”, afirmou. “Mas isso nos aponta para segunda grande tarefa: exigir, pedir, suplicar que a presidente Dilma se reconcilie com valores e grupos sociais que lhe deram a vitória. Porque a sensação grave hoje entre nós é de que fomos enganados. A sociedade esperava uma coisa, ouviu dela uma proposta, e temos a sensação de que estamos recebendo exatamente o oposto”, emendou.

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Na coletiva, o presidente nacional do PDT lançou a pré-candidatura de Ciro à Presidência da República em 2018. Lupi afirmou que o ex-ministro é o político “mais preparado” e “mais habilitado” para a função. O dirigente fez questão de ressaltar que o lançamento da candidatura não é uma “oportunidade eleitoral”. Prova disso, ressaltou, foi a defesa que ele, Ciro e Dino fizeram contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff durante a entrevista. “Não estamos defendendo a presidente Dilma por conveniência”, ponderou.

Ciro Gomes não comentou o lançamento da pré-candidatura durante a coletiva de imprensa. Em entrevistas recentes, contudo, o ex-ministro já tinha dado sinais de que quer ser candidato à sucessão da presidente Dilma em 2018. Caso a candidatura se confirme, será a terceira vez que Gomes disputa o comando do Palácio do Planalto. Ele foi candidato à presidente da República em 1998 e 2002, terminando em terceiro e quarto lugar na disputa, respectivamente.

Na entrevista deste domingo, Flávio Dino destacou que a instauração do processo de impedimento de Dilma é “golpe”, pois não tem base constitucional. Ele lembrou que as chamadas “pedaladas fiscais” foram cometidas em 2014, no primeiro mandato da presidente e que sequer ainda foram julgadas pelo Congresso Nacional. O governador lembrou ainda que, ao aprovar o Projeto de Lei do Congresso (PLN) que alterou a meta fiscal, os parlamentares deram “prova” de que não querem o impeachment e mostraram que há espaço para diálogo sobre o assunto.

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(Com Estadão Conteúdo)

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