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Cabral devolve aos bombeiros helicóptero usado para passeio de políticos. Agora, governo só tem seis

Aeronave transferida do serviço médico para o Palácio Guanabara no governo Rosinha Garotinho passa por transformação para ser usada em emergências

Por Leslie Leitão 10 jul 2013, 17h49

A frota de helicópteros do governo do estado do Rio passa por mudanças. Além da compra de uma aeronave para o Corpo de Bombeiros, como revelou o site de VEJA, o Palácio Guanabara prepara a devolução para a corporação de um antigo aparelho. Na manhã desta quarta-feira, na Lagoa, o helicóptero de prefixo PP-ECE estava recebendo adesivos e equipamentos para voltar a funcionar como aeronave de resgate, e parecer como tal.

A história do helicóptero de prefixo PP-ECE é longa, e começa na década de 90, quando a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) doou a aeronave para o gabinete civil, para uso como unidade de socorro aérea. A doação ocorreu durante o governo Nilo Batista, entre 1994 e 1995. No governo Rosinha Garotinho (2002-2006), uma decisão do Palácio Guanabara transferiu a aeronave para o Poder Executivo, para ser usado pelos gabinetes.

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O PP-ECE lá ficou durante o governo Rosinha e foi mantido a serviço do Poder Executivo pelo governador Sérgio Cabral até ontem. Depois das revelações feitas por VEJA, e um dia após autorizar a compra de mais uma aeronave (sem licitação) para os Bombeiros, por 7,7 milhões de reais, o governador decidiu se desfazer do modelo antigo. Cabral determinou que o Esquilo retornasse para sua função de origem: salvar vidas, em vez de transportar políticos. “Foi uma vitória dos bombeiros. Pedíamos isso há muito tempo”, diz um coronel da cúpula da corporação.

O modelo que volta a ser usado pelos bombeiros não é dos mais confortáveis. E funcionava como um veículo de uso geral. “Aquela ali qualquer um podia usar. Não é uma limusine aérea como o Agusta (o mais usado por Cabral e avaliado em 15,7 milhões de reais). Os Esquilos são quase uma van aérea. Todo mundo pega”, conta um funcionário da Coordenadoria Adjunta de Operações Aéreas (Caoa).

Na manhã desta quarta-feira, o site de VEJA flagrou os funcionários do gabinete militar modificando a aeronave. Apesar de o helicóptero ainda estar nas cores branca e azul, como integrante da frota do governador (há outros seis à disposição de Cabral e cia.), o símbolo do Corpo de Bombeiros já foi colocado na cauda e equipamentos de salvamento, como maca, começaram a ser instalados. Por ora, a cor branca será mantida. A troca de aparência deve coincidir com a manutenção de 600 horas de voo (atualmente o modelo tem 540 horas), agendada para a próxima semana.

Há alguns problemas que precisarão ser resolvidos imediatamente. Atualmente, o Esquilo tem um seguro para transporte VIP e aeromédico. Como ele será transformado, mais uma vez, em aeronave de resgate, ou seja, atuando no salvamento no mar e em regiões de montanha, será preciso alterar a apólice para incluir a cobertura de operações de maior risco.

A Polícia Militar também está na expectativa de receber uma outra aeronave nos próximos dias: outro Esquilo monomotor da frota de Sergio Cabral. Assim, dos sete helicópteros que tinha até semana passada, a frota do Palácio Guanabara passaria a ter cinco. O governo de São Paulo tem dois, e prepara a venda de um deles, para reduzir gastos com manutenção, combustível e pessoal. O governo paulista deve arrecadar 2,5 milhões de reais com a venda, proporcionando também uma economia de 4,5 milhões de reais por ano com manutenção.

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