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Bretas converte prisão temporária de CEO da GE em preventiva

Com decisão, Daurio Speranzini Júnior não tem prazo para deixar a cadeia. Juiz se baseou em dossiê contra testemunha apreendido na casa do executivo

Por Estadão Conteúdo - 6 jul 2018, 20h16

O juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, converteu nesta sexta-feira, 6, a prisão temporária de Daurio Speranzini Júnior, CEO da GE, em prisão preventiva, isto é, sem prazo para terminar.

Bretas justificou a decisão destacando que o Ministério Público Federal (MPF) encontrou na residência de Daurio um dossiê, datado de 20 de junho de 2018, contra uma testemunha que o denunciou e foi fundamental às investigações da operação Ressonância. Deflagrada na última quarta-feira, 4, a ação da Polícia Federal mirou fraude nas licitações da área de saúde do governo do Rio de Janeiro e do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into).

A testemunha relatou que a Philips, onde Daurio era CEO à época dos fatos, teria vendido equipamentos dentro do esquema de corrupção. Outra testemunha declarou que a empresa seria integrante do denominado “clube do pregão internacional” em contratos com a Saúde fluminense.

“Segundo os documentos obtidos na residência de Daurio, na efetivação da medida de busca e apreensão, a participação, em tese, do investigado na organização criminosa parece contemporânea aos fatos”, entendeu Marcelo Bretas.

O magistrado também afirma que a testemunha alvo do dossiê levou ao conhecimento dos investigadores as negociações irregulares que vinham ocorrendo no âmbito dos procedimentos licitatórios do Into. “Nota-se, pois, que há fortes indícios de que Daurio participa ativamente da organização criminosa, consoante às declarações dos colaboradores e dos novos elementos probatórios”, escreveu o juiz.

No dia em que a Operação Ressonância foi deflagrada, a GE respondeu que “as alegações são referentes ao período em que o executivo atuou na liderança de outra empresa”. “A GE ressalta que não é alvo das investigações. A empresa acredita que os fatos serão esclarecidos pela Justiça e está à disposição para colaborar com as autoridades”.

Já a Philips afirmou que estava cooperando com as autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos quanto às alegações apresentadas, “que datam de muitos anos atrás”. “Os atuais líderes executivos da Philips não são parte da ação da Polícia Federal; um colaborador da equipe de vendas da Philips foi conduzido para prestar esclarecimentos. A política da Philips é realizar negócios de acordo com todas as leis, regras e regulamentos aplicáveis. Quaisquer investigações sobre possíveis violações dessas leis são tratadas muito seriamente pela empresa”, diz a nota.

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