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Gustavo Bebianno: “A tendência é essa, exoneração”

De saída do governo, o chefe da Secretaria Geral da Presidência também desabafou em sua conta no Instagram: 'Só consegue ser amigo, quem aprende a ser leal'

Por Eduardo Gonçalves e Edoardo Ghirotto Atualizado em 19 fev 2019, 14h40 - Publicado em 16 fev 2019, 12h14

O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, confirmou neste sábado que ele deve ser exonerado do cargo nesta segunda-feira. “A sinalização é essa. A tendência é essa, exoneração. A hora que sair o papel com a exoneração é porque eu fui exonerado”. Abatido, ele falou com jornalistas ao deixar o hotel onde mora em Brasília.

Na madrugada, ele usou sua conta no Instagram para publicar um texto sobre lealdade. A provável demissão ocorre após ele se desentender com o presidente Jair Bolsonaro, de quem foi um dos auxiliares mais próximos durante a campanha eleitoral e a montagem do novo governo. Apesar de em nenhum momento citar nominalmente o presidente, a mensagem parece ser um claro recado a Bolsonaro.

“Uma pessoa leal, sempre será leal. Já o desleal, coitado, viverá sempre esperando o mundo desabar na sua cabeça”, postou ele num texto atribuído ao escritor Edgard Abbehusen. “E repare: quando perdemos por ser leal mantemos viva a honra. Saímos de qualquer lugar com a cabeça erguida ao carregar no coração a lealdade. É ela quem conduz os passos das pessoas que jamais irão se perder do caminho. Que jamais irão se entregar às turbulências. Que jamais irão se entregar às circunstâncias”, completou.

  • Na tarde desta sexta-feira, Bebianno teve um encontro ríspido com Bolsonaro. Na ocasião, o ministro disse ao presidente que ele foi desleal, que se sentia vítima de uma traição e que “um comandante não pode alvejar um soldado pelas costas”. Bolsonaro teria dito a aliados que resolveu demitir Bebianno por quebra de confiança.

    O ministro tornou-se o pivô de uma crise no Palácio do Planalto após a descoberta de um esquema de candidaturas laranjas do PSL nas eleições do ano passado, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo. Bebianno comandou o partido entre janeiro e outubro de 2018.

    Em uma entrevista ao jornal O Globo em 12 de fevereiro, Bebianno negou que houvesse uma crise dentro do Executivo dizendo, como prova, que havia falado “três vezes” com o presidente naquele dia. Ao invés de a declaração esfriar a crise, ela se acentuou quando o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro interveio. Ele publicou no Twitter que era uma “mentira absoluta” que Bebianno havia falado três vezes com o seu pai. Em seguida, divulgou na mesma rede o áudio de uma conversa entre Bolsonaro e o ministro, na qual ele lhe dizia que “não iria falar com ninguém, a não ser o estritamente pessoal”. Carlos esteve com o pai durante os 17 dias em que ele esteve internado em São Paulo.

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    Neste sábado, Bebianno frisou que não fez “nada de errado” e que está com a consciência “absolutamente tranquila e limpa”. “Vincular (o caso de Pernambuco) não tem nada a ver comigo, isso é a lei, o estatuto do partido, é o bom senso. Como alguém na nacional pode controlar o que acontece no Acre, em Rondônia?”, questionou ele.

     

    A exoneração de Bebianno deve ser formalizada na segunda-feira, conforme aliados. O deputado delegado Waldir, líder do PSL na Câmara, disse a VEJA que o ministro “não fica mais”. “É a única informação que eu tenho”. Na manhã deste sábado, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, foi escalado para ir ao Palácio da Alvorada conversar com Bolsonaro para tentar costurar uma solução para a controversa demissão. Ficou no local por cerca de uma hora e saiu sem falar com a imprensa. Nos últimos dias, Waldir e Lorenzoni chegaram a defender a permanência de Bebianno no cargo.

    O maior receio de aliados de Bolsonaro é que ele saia do posto atirando. Ontem, um interlocutor que conversou com Bebianno por telefone disse que ele iria passar o fim de semana pensando. Segundo esta mesma fonte, ele chegou a dizer que, “se isso (a demissão) acontecer na segunda, o Brasil vai tremer”. Além de ter sido presidente do PSL e um dos seus maiores conselheiros durante as eleições, o ministro era em um frequentador assíduo da casa do presidente.

     

  • (Com Estadão Conteúdo)

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