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Após delação de Delcídio, MP discute investigar Dilma e Lula na Lava Jato

Lula pode ser incluído em inquérito sobre quadrilha já em tramitação no Supremo

Por Da Redação 15 mar 2016, 21h15

Depois da bomba política lançada pelos depoimentos de delação premiada do senador Delcídio do Amaral, investigadores da Operação Lava Jato estudam abrir investigações contra a presidente Dilma Rousseff e seu antecessor e padrinho político, o ex-presidente Lula. Os dois foram citados pelo ex-líder do governo no Senado como responsáveis por atuar para alterar os rumos das investigações da Lava Jato.

Segundo Delcídio, partiu de Lula a orientação para que ele oferecesse dinheiro à família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró em troca do silêncio do ex-dirigente e da tentativa de que o executivo não fechasse um acordo de delação premiada. As revelações de Delcídio sobre o petista reforçam, na avaliação do Ministério Público, que havia uma organização criminosa estruturada entre PT e PMDB.

Em outra possível frente de investigação, o MP quer detalhes do operador do mensalão Marcos Valério Fernando de Souza, condenado a 37 anos de prisão no escândalo político de formação da base aliada do primeiro mandato de Lula. Ele deve ser ouvido pelos investigadores para confirmar ou não se partiu do petista a orientação para que fosse paga uma suposta dívida milionária exigida por Valério. Segundo Delcídio, o governo do ex-presidente Lula atuou para comprar o silêncio de Marcos Valério e o próprio petista e seu filho, Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, teriam integrado um acordão para não figurarem no relatório final da CPI dos Correios, que investigou o esquema do mensalão.

“Delcídio tem conhecimento das tratativas ilícitas para a retirada do relatório, na madrugada de 05/04/2006, dos nomes do então presidente Lula e de seu filho Fábio Luís Lula da Silva em um ‘acordão’ com a oposição”, disse trecho da delação premiada. A atuação de Lula nos três episódios pode levar o ex-presidente a ser incluído no inquérito em que o Supremo já investiga crimes de formação de quadrilha supostamente cometidos por parlamentares.

Os indícios de que Lula buscou embaraçar as investigações da Lava Jato com a ajuda parlamentares como Delcídio, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Edison Lobão (PMDB-MA), conforme revelados na delação premiada do ex-líder do governo, também serão objeto de análise do Ministério Público. Edição de VEJA de maio de 2015 já havia desvendado como Lula escapou do risco de ser apontado como o chefe do mensalão e de responder a um processo de impeachment durante a CPI dos Correios. O PT negociou o silêncio do empresário Marcos Valério quando ele – às vésperas da conclusão da CPI dos Correios – avisou que acusaria Lula de comandar o mensalão se não recebesse uma ajuda financeira milionária. O valor, segundo Delcídio, chegaria a 220 milhões de reais e envolveria dívidas com o próprio Valério e com o pagamento de propina a parlamentares. De acordo com Delcídio, o recado de Marcos Valério não poderia ser mais claro: “Se estas coisas não forem resolvidas, se a situação está ruim, vai ficar pior ainda”.

Dilma – No caso de Dilma Rousseff, o Ministério Público avalia como seria possível investigar a presidente. O parágrafo 4º do artigo 86 da Constituição proíbe que um presidente da República seja responsabilizado, no exercício do mandato, por atos que não dizem respeito ao exercício de suas funções. O argumento foi utilizado pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot ao justificar porque Dilma não poderia ser investigada pelas irregularidades envolvidas na compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Esses fatos remetem à época em que ela era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, entre 2003 e março de 2010.

Mas as novas revelações de Delcídio de que a presidente tentou aparelhar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) nomeando o ministro Ribeiro Dantas para livrar da cadeia empreiteiros investigados no petrolão ocorreram no mandato atual e também seriam irregularidades diretamente ligadas ao ofício da Presidência da República, já que cabe à chefe do Executivo indicar nomes para tribunais superiores.

O MP também vai avaliar nos próximos dias indícios apresentados por Delcídio do Amaral contra o vice-presidente Michel Temer, o senador e presidente do PSDB Aécio Neves e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para decidir se pede ou não a abertura de inquérito para investigar a participação dos três no esquema revelado na delação premiada do ex-líder do governo.

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