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Após acender tocha olímpica, Dilma diz que país vive ‘período crítico’ da história

Sem citar abertamente o mantra do "golpe de Estado", presidente fez uma referência implícita à resistência ao impeachment: "O que vale é a luta e nós sabemos lutar"

Por Da Redação 3 Maio 2016, 10h32

Às vésperas da votação no Senado que pode afastá-la do cargo, a presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou nesta terça-feira que o país vive um período de instabilidade política, na cerimônia para acender a tocha olímpica dos Jogos Rio-2016, evento de repercussão mundial realizado no Palácio do Planalto. Coube a Dilma acender a tocha na chama olímpica e entregar à atleta da seleção de vôlei Fabiana Claudino. A jogadora desceu a rampa do Palácio do Planalto com o braço erguido e a tocha na mão, mas Dilma não a acompanhou, evitando repetir o ato que simbolizaria o fim do mandato presidencial.

“Sabemos as dificuldades políticas que existem em nosso país hoje, conhecemos a instabilidade política. O Brasil será capaz de conviver mesmo com um período muito difícil, verdadeiramente crítico da nossa história e da história da democracia do nosso país, porque criamos todas as condições para isso com a melhor recepção de todos os atletas e todos os visitantes estrangeiros”, disse Dilma, em tom sério e expressão facial grave, ciente de que provavelmente estará fora do cargo durante os Jogos. “Tenho certeza de que um país, cujo povo sabe lutar pelos seus direitos e que preza e sabe proteger sua democracia, é um país onde as Olimpíadas terão o maior sucesso nos próximos meses”, completou.

Dilma também fez referência implícita ao discurso do PT e do governo de resistência ao impeachment, sem citar abertamente o processo nem o mantra de “golpe de Estado”, ouvido apenas em gritos isolados de servidores comissionados do Palácio do Planalto. “Nós sabemos que o que vale é a luta e nós sabemos lutar. Somos todos olímpicos, somos todos Brasil”, disse para depois ser aplaudida e recebida com gritos de “Dilma guerreira, da pátria brasileira”.

Na cerimônia, a presidente fez um discurso mais voltado a exaltar a preparação para os Jogos e para garantir que as instalações estarão prontas a tempo, bem como a segurança de atletas chefes de Estado e público em geral. Apesar de recentes constrangimentos mundiais com atrasos em obras de mobilidade, o abandono de metas de despoluição da Baía de Guanabara e das lagoas da Barra e Jacarepaguá (contíguas às instalações esportivas), a crise com doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a queda da ciclovia recém-inaugurada e da histórica insegurança pública no Rio, a presidente afirmou que o país “está pronto” para sediar as Olimpíadas.

“O Brasil está pronto para realizar a mais bem sucedida edição dos Jogos Olímpicos. Nós trabalhamos para isso. O Brasil está preparado para proporcionar segurança a atletas, jornalistas, chefes de Estado e todos os visitantes que vão ter a oportunidade de assistir aos Jogos no Rio de Janeiro”, afirmou. “Estamos preparados para atender às mais elevadas expectativas durante os Jogos. Contamos com a conhecida hospitalidade e alegria do povo brasileiro, seremos os melhores anfitriões.”

Segundo a presidente, o modelo será o de centro integrado de comando e controle, aplicado na Copa do Mundo de 2014, e que integra a Polícia Federal, polícias civis e militares estaduais, guardas municipais e a Força Nacional de Segurança, responsável também pelo policiamento nas arenas esportivas.

A tocha passa agora pelo Congresso Nacional e depois seguirá, em revezamento de atletas, pela Esplanada dos Ministérios e por cidades do entorno de Brasília. Depois, será levada a 330 municípios em todos os Estados até chegar ao Rio para a abertura das Olimpíadas em agosto.

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