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Aloysio admite à PF pedido à Odebrecht, mas nega irregularidades

Ministro depôs em maio em inquérito que o investiga por suposto favorecimento de empreiteira e relatou encontros com executivo pagador de propinas

Por Da Redação - Atualizado em 2 nov 2017, 22h22 - Publicado em 2 nov 2017, 22h14

O ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), admitiu em declarações à Polícia Federal ter pedido doações para a campanha eleitoral de 2010 à Odebrecht e assumiu ainda ter se reunido no Palácio dos Bandeirantes com o delator Carlos Armando Paschoal, o ‘CAP’, que o acusa de receber R$ 500 mil em caixa 2, por meio de dois repasses, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo.

O depoimento, no dia 3 de maio, se deu no âmbito do inquérito 4428/DF, que o investiga por suposto favorecimento da empreiteira em obras do Rodoanel, em São Paulo. O tucano nega que nos encontros tenham sido tratadas irregularidades. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal é o ministro Gilmar Mendes.

No último dia 24, a procuradora-geral da República Raquel Dodge pediu que Aloysio seja reinquirido no inquérito 4428/DF, inclusive sobre quem o tucano apresentou a Paschoal, o ‘CAP’, delator ligado à Odebrecht e apontado como pagador de propinas da empreiteira.

Benedicto Júnior, o ‘BJ’, ex-presidente da Construtora Norberto Odebrecht, afirmou que os dois repasses a Aloysio se deram na campanha do tucano ao Senado, em 2010.

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‘BJ’ diz ter sido procurado naquele ano por Paschoal, o ‘CAP’, responsável por demandas da Odebrecht em São Paulo, com a solicitação do pagamento a Aloysio Nunes.

‘CAP’ é um dos 77 executivos da empreiteira que fecharam acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

“O Carlos ponderou que ele era uma pessoa proeminente do PSDB em São Paulo e que a companhia deveria fazer a doação. Eu autorizei”, diz ‘BJ’. O delator diz que não tem ciência de demandas levadas a Aloysio Nunes pela empreiteira.

Carlos Armando Paschoal, no entanto, relata na delação que, na época em que foi procurado por Aloysio – então chefe da Casa Civil do governo de São Paulo –, a Odebrecht estava em negociações com a Dersa sobre aditivos contratuais na obra do Rodoanel.

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A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) é uma empresa de economia mista, controlada pelo Estado de São Paulo.

Aloysio Nunes afirmou à PF que, na época em que ocupava a chefia da Casa Civil, no governo José Serra (2007/2010), foi procurado por ‘CAP’ para tratar de assuntos relacionados à obra do Rodoanel Sul e que ‘não sabe precisar quantas vezes se encontrou (com o delator) no Palácio dos Bandeirantes’.

O tucano relata que ‘iniciou a arrecadação de recursos para sua campanha de 2010, cujo coordenador financeiro era Rubens Rizek, responsável por procurar ‘possíveis doadores, pessoas físicas e jurídicas’ para arrecadar recursos.

O ministro afirma que entre as diversas empresas que procurou, uma delas é a Odebrecht. Aloysio diz ter se reunido com representantes da Odebrecht em seu comitê eleitoral, mas diz não ter solicitado valores específicos.

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Aloysio alega ter se encontrado também com outros empresários para tratar da obra que, segundo ele, teve vários problemas em razão de sua ‘alta complexidade’ e de problemas financeiros causados por desapropriações, questões ambientais, e o regime jurídico dos contratos.

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