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Aécio: ‘Usei mais o 40 do PSB do que o número do PSDB’

Senador mineiro reforça aproximação dos tucanos com o partido de Eduardo Campos em disputa contra o PT de Campinas. Questionado sobre José Serra, disse acreditar na virada e estar "à disposição" do colega de partido

Por Jean-Philip Struck, de Campinas 24 out 2012, 14h19

Provável candidato à Presidência pelo PSDB, o senador Aécio Neves (MG) deixou claro mais uma vez seu esforço de aproximação com o PSB, com vistas às eleições de 2014. Nesta quarta-feira, em visita a Campinas (SP), o tucano fez campanha ao lado do candidato Jonas Donizette (PSB) e disse que, nas campanhas para prefeito deste ano, ostentou no peito mais adesivos com o número 40, dos socialistas, do que com o 45 dos tucanos.

“Nessas minhas andanças por 23 dos 26 estados da federação, usei mais o 40 no meu peito do que o número do meu próprio partido”, disse Aécio, que afirmou desejar um PSB “forte, independentemente de uma aliança futura”.

“Em várias partes do Brasil, sem prejuízo para a aliança que o PSB tem hoje com a presidente Dilma Rousseff, há uma aliança muito natural com o PSDB. Essa afinidade é real. Não é uma construção artificial”, disse Aécio.

O senador afirmou que o PSDB vai apresentar um “projeto alternativo para 2014” a “esse que está aí”. “Se o PSB quer participar no futuro, é ele que tem de dizer.”

Em Campinas, o PSB, que faz parte da base aliada do governo da presidente Dilma Rousseff, trava neste segundo turno mais um embate com o PT, à exemplo das campanhas de Belo Horizonte e do Recife, onde a disputa entre socialista e petistas causou desgaste na relação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. No caso da capital mineira, a reeleição de Márcio Lacerda (PSB) foi um projeto arquitetado pelo senador tucano.

Recentemente, Aécio e Campos estiveram juntos em Uberaba (MG) para apoiar a candidatura de Antonio Lerin (PSB). As disputas nas duas capitais terminaram com a derrota do PT, que passou a ver em Campinas, o terceiro maior colégio eleitoral de São Paulo, uma chance de virar o jogo contra Campos.

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Além de Aécio, vieram prestar apoio uma coleção de tucanos e socialistas, entre eles o prefeito eleito do Recife, Geraldo Julio (PSB), o ex-presidente do PSDB e secretário estadual de Energia de São Paulo, José Aníbal, e o senador Paulo Bauer (PSDB-SC). A visita ocorreu quatro dias depois de a presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula terem ido a Campinas para prestar apoio ao candidato Marcio Pochmann (PT).

Oposição – Diante dos socialistas, Aécio atacou o PT e disse que a visão de que candidatos petistas têm mais chances de conseguir recursos federais é um “discurso de atraso”. “Vivemos numa federação. Não podem aqueles que se acham os inquilinos do poder também acharem que são os donos do dinheiro”, disse Aécio. “Essa visão patrimonialista do PT faz um mal enorme ao país.”

PSDB e PSB têm feito uma “dobradinha” em diversas cidades do Brasil. Em Campinas, o vice de Donizette é o tucano Henrique Magalhães Teixeira. Em Manaus, onde o PT e Lula apoiam a candidata do PCdoB, Vanessa Grazziotin, o PSB resolveu apoiar o tucano Arthur Virgílio. O PSB é o partido que mais cresceu proporcionalmente nas eleições municipais, e sua arrancada tem sido vista pelo PT como uma ameaça.

Em Campinas, Aécio defendeu o PSB e rechaçou uma afirmação do deputado petista André Vargas de que a preocupação de Eduardo Campos era não tornar o PSB um satélite do PT. “É um desrespeito ao PSB. Nós do PSDB não vemos o crescimento de outros partidos como uma ameaça. Se o PT só consegue conviver com partidos que apoiam seu projeto político, é uma visão absolutamente distorcida”, disse o senador.

Périplo – Nesta quarta-feira, o senador deve ir para São Luís (MA), para prestar apoio ao candidato tucano João Castelo. Em seguida ele segue para Belém e Manaus, para apoiar os candidatos tucanos que concorrem no segundo turno.

Não há previsão de que o senador vá a São Paulo prestar apoio ao seu companheiro de partido José Serra, que está atrás do petista Fernando Haddad nas pesquisas de intenção de voto na capital paulista. Sobre o assunto, Aécio disse apenas: “Tenho confiança na virada de Serra e estou à disposição do candidato.”

Mensalão – Aécio foi sucinto ao falar do mensalão, que, para ele é uma “depuração da política” e marca o “fim da sensação de impunidade”. Para ele, o julgamento não tem impacto direto na eleição . “Esta eleição envolve questões municipais.”

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