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“A palavra está com Demóstenes”, diz Agripino

Presidente do DEM cobra resposta do senador sobre ligação com Carlinhos Cachoeira e diz que o caso precisa ser resolvido de forma rápida

Por Gabriel Castro 30 mar 2012, 12h35

A situação de Demóstenes Torres (DEM-GO) dentro de seu partido se agrava a cada dia. O silêncio do senador e a enxurrada de novas denúncias têm minado o apoio ao parlamentar. O presidente da legenda, José Agripino Maia, ainda espera a resposta que o colega prometeu dar na tribuna assim que tivesse acesso ao inquérito, o que já foi garantido: a defesa do senador terá o material em mãos nesta sexta-feira.

“Agora, a palavra está com ele, para cumprir aquilo que disse”, afirma Agripino. Demóstenes, que tem se mantido em silêncio, havia prometido subir à tribuna para se defender assim que fosse informado das acusações.

De acordo com o comandante do DEM, as novas revelações tornam mais grave a situação do senador: “São fatos pesados que exigem esclarecimentos”. Agripino espera que Demóstenes apresente, já na semana que vem, sua versão dos fatos. A expectativa é de que, logo depois, a executiva da legenda se reúna para discutir o caso. O encontro estava marcado para a próxima terça-feira, mas foi cancelado porque, com o feriado de Páscoa, muitos parlamentares estarão fora de Brasília.

Agripino diz que o veredito sobre Demóstenes deve ser dado nas próximas semanas. “É preciso que haja uma decisão rápida”, afirmou. Ele acredita que, dessa forma, não haja reflexos do caso sobre a imagem do partido nas eleições municipais – o primeiro passo da legenda na tentativa de se reerguer depois de sucessivos revezes nos últimos anos. Ainda segundo o presidente do partido, o DEM não vai titubear se for preciso expulsar da sigla o senador, um dos nomes mais promissores do partido antes do surgimento do escândalo.

Acusações – Demóstenes Torres foi atingido em cheio pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal. As autoridades desmontaram uma extensa rede criminosa comandada por Carlinhos Cachoeira, empresário e controlador da máfia dos caça-níqueis no estado de Goiás. Foram presos policiais militares, civis e federais que tinham participação no esquema. Mas a maior surpresa veio de conversas entre Demóstenes Torres e Cachoeira, interceptadas pelos policiais. Além de ter recebido do criminoso um presente de casamento no valor de 30 000 dólares, o senador foi flagrado pedindo auxílio financeiro e negociando o uso de um jatinho de Cachoeira. O parlamentar também usou sua influência para facilitar negócios do chefe de quadrilha, que está preso.

Conversas reveladas pelo Jornal Nacional nesta quinta-feira tornaram a situação do senador ainda mais complicada. Cachoeira aparece negociando recursos com comparsas e, em vários trechos, cita o nome do parlamentar. Carlinhos Cachoeira chega a falar em “um milhão do Demóstenes”. Horas antes, o PSOL entregou ao Conselho de Ética do Senado um pedido de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito contra o parlamentar.

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