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À espera da lista do petrolão, Câmara instala CPI

Nova CPI da Petrobras foi formalmente iniciada nesta quinta-feira; presidência da comissão de inquérito será do PMDB, e o PT ficará com a relatoria

Por Marcela Mattos - 26 fev 2015, 15h30

A Câmara dos Deputados formalizou nesta quinta-feira a criação da nova comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar as irregularidades na Petrobras. A instalação do colegiado ocorre em momento de alta tensão com a divulgação dos nomes dos políticos envolvidos no esquema de corrupção que sangrou os cofres da estatal. A Procuradoria Geral da República (PGR) deve encaminhar a lista ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos dias. A CPI terá duração de 120 dias, podendo ser prorrogada por mais dois meses.

Em uma sessão protocolar, o colegiado confirmou que o comando da CPI ficará nas mãos do PT e PMDB – partidos com parlamentares citados na Operação Lava Jato. O jovem Hugo Motta (PMDB-PB), de 25 anos, foi eleito presidente com 22 votos favoráveis, quatro contra e um em branco. Ex-articulador político do governo e ministro da Pesca, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) assumiu a relatoria por indicação de Motta, seguindo acordo costurado entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o líder petista Sibá Machado (AC). O deputado Ivan Valente (Psol-SP) apresentou uma candidatura avulsa, mas recebeu apenas quatro votos.

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Na próxima semana, será apresentado o plano de trabalho da CPI e deve ocorrer a convocação de personagens citados no propinoduto. A oposição pressiona pela convocação do presidente da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e do ex-ministro José Dirceu, condenado no mensalão

Essa é a terceira CPI criada desde o início das denúncias de corrupção na Petrobras. No ano passado, foi criada uma comissão no Senado e outra mista, com a presença de deputados e senadores. Mas, controladas pelo governo, as duas terminaram sem o indiciamento de políticos. “O resultado foi frustrante e não se alcançou nada de natureza prática, o que certamente não vai acontecer nesta CPI que está sendo instalada, até porque as circunstâncias são diferentes”, disse o deputado Antônio Imbassahy (PSDB-BA). “Creio que se instalou um clima de independência e a gente vai ter um quadro diferente. Nós não estaremos subordinados ao interesse do Executivo, que infelizmente desde o primeiro momento trabalhou para impedir a apuração daquilo que ficou consagrado como o petrolão”, disse o deputado Mendonça Filho (DEM-PE).

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