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Polícia Federal aponta elo entre PCC e Hezbollah, diz jornal

Segundo O Globo, associações entre brasileiros e libaneses começaram em 2006. Membros do PCC auxiliariam na segurança de libaneses nos presídios

Por Da Redação
9 nov 2014, 09h12

Documentos da Polícia Federal e do serviço de inteligência do Brasil apontam que traficantes ligados ao grupo fundamentalista libanês Hezbollah formaram uma associação com criminosos brasileiros, integrantes do Primeiro Comando da Capital, o PCC. Relatórios produzidos pela Polícia Federal apontam que membros do Hezbollah se ligaram aos integrantes do PCC para articular rotas do tráfico internacional de drogas e contrabando de armas. Os detalhes foram revelados pelo jornal O Globo, neste domingo.

Segundo a publicação, uma série de documentos da Polícia Federal obtidos pelo jornal revela que a sociedade começou a ser montada em 2006. Mas as provas só foram descobertas dois anos depois, quando uma operação realizada pela PF reuniu os primeiros indícios da ligação entre libaneses e a organização criminosa brasileira. Na época, envolvidos com o tráfico internacional foram presos.

De acordo com autoridades americanas e relatórios produzidos pelo Órgão para o Controle e Combate das Drogas (DEA, na sigla em inglês), integrado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e encarregado da repressão e controle de narcóticos, o dinheiro da droga é justamente uma das fontes de financiamento de entidades terroristas. Já a Polícia Federal encontrou indícios de que o grupo libanês que operava com o tráfico abriu canais para o contrabando de armas destinadas à organização criminosa brasileira. Em troca, os criminosos do PCC prometiam dar proteção a presos da quadrilha libanesa já detidos nas penitenciárias do país.

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A veracidade da associação entre membros do PCC e do Hezbollah foi confirmada pela área de inteligência da PF, que monitorou não só os suspeitos sob investigação, como também os integrantes da facção brasileira que comandavam ações de dentro dos presídios federais e estaduais em São Paulo e Paraná.

Segundo relatório da PF, “a concentração de tais detentos vem auxiliando na aglutinação de indivíduos com interesses comuns, além de viabilizar o contato de traficantes de origem árabe com grupos” como a facção “com marcante presença nos estabelecimentos prisionais do Estado de São Paulo”. O documento diz ainda que os contatos internacionais dos traficantes libaneses “têm atendido aos interesses” da facção brasileira, “que, por seu turno, viabiliza uma situação favorável aos estrangeiros dentro do sistema prisional, além de assegurar algum lucro com negociações mesmo enquanto estão presos”.

A partir de investigações e conversas com informantes que atuam na região da fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, o setor de inteligência da PF identificou que os traficantes libaneses não só abriram canais para a organização criminosa obter armas no exterior, como teriam participado da venda de explosivos supostamente roubados por membros do PCC.

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“Os libaneses em atividade criminosa, apesar de terem no tráfico de cocaína seu principal foco de atividades, também atuariam no tráfico de armas para grupos criminosos de São Paulo, sendo que, recentemente, também teriam intermediado uma negociação de explosivos”, diz o relatório destacado pelo jornal.

As informações sobre os vínculos entre as duas quadrilhas foram compiladas depois que o governo americano passou a apontar em seus relatórios anuais de combate ao narcotráfico a participação de libaneses da Tríplice Fronteira ligados ao comércio ilegal de drogas e ao financiamento de ações terroristas.

Em 2006, relatório do Departamento do Tesouro americano chegou a listar nove pessoas acusadas de ajudar a enviar recursos para o Hezbollah. Além dos nomes, o relatório apontava que a Galeria Pagé, em Ciudad del Leste, no Paraguai, vizinha da cidade brasileira de Foz do Iguaçu, era o bunker dos agentes que davam suporte financeiro ao Hezbollah. Na época, o governo brasileiro emitiu nota negando haver prova de que terroristas atuassem na região do Sul do país. Nos anos seguintes, o DEA, a agência americana de combate às drogas, reiterou a acusação.

Em 2008, dois anos após o primeiro relatório do Tesouro dos Estados Unidos, os serviços de inteligência da PF já estavam apontados para a região.

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