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Yazidis: o êxodo do inferno

Depois de escaparem do extermínio nas mãos do Estado Islâmico, milhares de integrantes de uma minoria religiosa vagam pelo deserto da Síria e do Iraque. Seu suplício não acabou

Por Duda Teixeira 16 ago 2014, 01h00

Visivelmente desconfortáveis ao ser indagados sobre o assunto, os yazidis, uma minoria do Iraque, não carregam consigo nenhum sinal externo ou objeto que indique sua religião. Para mostrarem a um estrangeiro a imagem do profeta Malak Tawus, que tem a aparência de um pavão, eles precisam recorrer a uma pesquisa na internet em um telefone celular. Malak Tawus é o mais poderoso de sete anjos que, segundo a tradição yazidi, trabalham como ministros de Estado de Deus, gerindo o mundo. Não há para esse povo a dicotomia entre o céu, bom, e o inferno, mau. Apesar disso, nas últimas semanas, os discretos yazidis tiveram de atravessar uma situação infernal como nunca poderiam imaginar em suas concepções. As trevas foram abertas com a chegada de terroristas do Estado Islâmico (anteriormente conhecidos pela sigla em inglês Isis) a cidades de maioria yazidi na região do Curdistão, no norte do Iraque. Para esses jihadistas sunitas, os yazidis são adoradores do diabo e devem ser exterminados. Era o princípio do que poderia ter se tornado um genocídio comparável ao que vitimou cerca de 800 000 tutsis pelos hutus em Ruanda, em 1994.

Na semana passada, nos dois centros feitos para acolher refugiados na cidade turca de Diyarbakir, todos diziam ter algum parente ou conhecido “sem conexão” no Iraque. O temor dos refugiados é que, por não atenderem uma ligação de telefone há duas semanas, essas pessoas tenham sido mortas e enterradas com escavadeiras em valas comuns pelos combatentes do Estado Islâmico. Quase todos os refugiados entrevistados por VEJA na Turquia também conhecem alguma menina ou mulher que foi raptada pelos terroristas. Segundo os relatos que ainda chegam por telefone dos amigos que ficaram no Iraque, hoje elas são “vendidas como esposas” na cidade de Tal Afar. Trata-se de um eufemismo. Na realidade, isso significa que elas são obrigadas a se prostituir para afegãos, paquistaneses e – para indignação ainda maior dos yazidis – para árabes que até há pouco tempo eram seus vizinhos. Para os homens e meninos que caíram nas mãos dos jihadistas, foi reservado um suplício mais rápido. Mais de 500 foram executados por métodos que vão da degola ao tiro na nuca.

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