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Violência na Costa do Marfim matou 800 pessoas em 1 dia

A informação foi divulgada nesta sexta-feira pela Cruz Vermelha Internacional

Por Da Redação - 1 abr 2011, 21h01

Pelo menos 800 pessoas morreram na terça-feira, 29 de março, durante atos de violência em Duékoué, no oeste da Costa do Marfim, informou nesta sexta-feira o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Segundo a organização, “dezenas de milhares de mulheres, homens e crianças” fogem dos combates e saques no local desde segunda-feira passada. A cidade e seus arredores já foram duramente atingidos várias vezes pela violência, em meio à crise política que toma conta do país. Nesta sexta-feira, aumentou a intensidade dos combates em Abidjan, onde se encontra Laurent Gbagbo, presidente em fim de mandato que se recusa a deixar o poder.

“Dados sobre o assunto foram reunidos por delegados do CICV que foram a Duékoué nos dias 31 de março e 1º de abril”, precisou uma porta-voz do Comitê, em Genebra, Dorothea Krimitsas. Ela contou que os delegados da Cruz Vermelha viram “uma grande quantidade de corpos”. “Tudo parece indicar que se trata de atos de violência entre as comunidades”, acrescentou a porta-voz.

Importante cruzamento estratégico do Oeste, a cidade de Duékoué é controlada desde terça-feira por forças do presidente marfinense reconhecido pela comunidade internacional, Alassane Ouattara, ao final de dois dias de combates com militares e milícias fiéis a Gbagbo. As agências humanitárias da ONU se disseram particularmente preocupadas nesta sexta-feira com a sorte de dezenas de milhares de deslocados que encontraram abrigo na missão católica desta cidade.

“Segundo um padre da missão, a maioria não come há dois dias”, comentou uma porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Jemini Pandya. De acordo com o mesmo padre, há também necessidade urgente de retirar os corpos abandonados nas ruas da cidade e nas proximidades da missão.

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Pedido de ajuda – O governo dos EUA pediu nesta sexta-feira à ONU e à França que façam o possível para proteger a população civil no país africano e impeçam qualquer saque que possa ocorrer. O porta-voz interino do Departamento de Estado, Mark Toner, disse que não está claro onde se encontra Gbagbo e a situação é “muito incerta”.

“Estamos muito preocupados pela violência e pedimos contenção a todas as partes”, disse o porta-voz, que reiterou as chamadas de seu país para a saída imediata de Gbagbo. “Já é o momento de renunciar e prevenir mais derramamento de sangue”, enfatizou.

Crise política – A Costa do Marfim vive uma situação instável desde as eleições de novembro do ano passado, em que Ouattara triunfou nas urnas, mas Gbagbo se recusou a aceitar o resultado. A ONU foi uma das instituições internacionais que reconheceram a derrota de Gbagbo no pleito.

(Com agências France-Presse e EFE)

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