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União Europeia concorda em realocar 40 mil imigrantes

Plano prevê distribuição 'voluntária' entre os países do bloco dos refugiados que cruzaram o Mar Mediterrâneo; rejeição da proposta de cotas obrigatórias frustrou líderes europeus

Em meio a uma grave crise de imigração ilegal, líderes da União Europeia (UE) concordaram nesta sexta-feira em realocar voluntariamente dezenas de milhares de refugiados que cruzaram o Mar Mediterrâneo nos últimos dois anos para pedir asilo na Itália ou na Grécia, fugindo da guerra e da fome na Síria e no Norte da África.

Depois de uma longa e tensa reunião em Bruxelas, os membros da UE entraram em acordo para distribuir 40 mil imigrantes originários da Síria e da Eritreia por toda a Europa até o fim de 2016. Outros 20 mil refugiados que atualmente estão fora da União Europeia também serão acolhidos. Apenas Bulgária e Hungria estão isentos, por já enfrentarem pressões migratórias em suas fronteiras.

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Cotas – Em um dos pontos mais sensíveis da reunião, o projeto de estabelecer cotas obrigatórias sobre o número de imigrantes que cada país do bloco deve receber foi preterido por uma distribuição de forma “voluntária”. Os membros do leste europeu foram os que mais se opuseram à proposta de cotas. Essa decisão frustrou alguns dos principais líderes da UE. O presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker classificou o acordo como “modesto” diante da gravidade da crise. Já o premiê italiano Matteo Renzi, chefe de governo de um dos países mais afetados pela onda migratória, criticou a falta de solidariedade dos membros do bloco: “Se essa é sua ideia da Europa, fiquem com ela”.

Os critérios para a realocação voluntária – que devem levar em conta o tamanho e a economia de cada país – ainda serão discutidos, mas devem ser estabelecidos até o final de julho.

Crise – Somente em 2014, segundo dados da agência da ONU para refugiados, mais de 200.000 imigrantes entraram ilegalmente na Europa vindos da África. Somente neste ano, mais de 100 mil refugiados cruzaram o Mar Mediterrâneo com destino à Itália ou à Grécia. Realizadas a bordo de barcos precários, as viagens muitas vezes terminam em tragédia. Em abril, mais de 800 pessoas morreram quando uma embarcação com imigrantes naufragou perto da Líbia.

(Com agências EFE e AFP)