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Unesco desiste de participar do Dia da Filosofia no Irã

Programada para 21 e 22 de novembro, celebração foi contestada por diplomatas de diversos países

A Unesco decidiu nesta terça-feira se livrar de outro embaraço à sua reputação. O órgão da ONU para ciência e cultura optou por se dissociar da celebração do Dia Mundial da Filosofia de 2010, que será realizado no Irã em menos de duas semanas.

A data é celebrada desde 2002. Um discreto acordo feito em 2008 para que a sede deste ano seja o Irã tornou-se extremamente controverso por causa dos registros de repressão e censura do governo iraniano depois das eleições de 2009. Acadêmicos prometeram boicotar o evento, programado para 21 e 22 de novembro. Países europeus e os Estados Unidos pediram à diretora geral de organização, Irina Bokova, que cancelasse o evento. Uma celebração, marcada para Paris em 18 de novembro, vai ser a principal comemoração da data. Diplomatas ocidentais disseram que inicialmente levaram a questão a Bokova no começo do ano, quando o acordo com o Irã se tornou mais conhecido. A Unesco declarou que o evento seguiria tal como planejado. Na terça-feira, Bokova anunciou que a organização iria se dissociar de qualquer celebração realizada em Teerã. Diplomacia – A França esteve particularmente envolvida na tentativa de convencer a Unesco a cancelar o evento. O país foi acompanhado por outras nações europeias no apelo a Bukova. Um importante diplomata ocidental salientou que a decisão de realizar o evento em determinado país estava em poder do diretor geral, e o comitê executivo da Unesco não chegou a ser consultado. Uma carta, no início deste mês, destinada a Bokova e enviada pelo embaixador americano para a Unesco, David Killion, apontou para informações de que as autoridades iranianas pretendiam usar o Dia Mundial da Filosofia para fins políticos. Os iranianos afirmaram em outubro, por exemplo, que as ciências sociais e humanas ocidentais eram perigosas para o Irã. O ministro do Irão encarregado de pesquisa, ciência e tecnologia anunciou o congelamento de quaisquer novos cursos acadêmicos de disciplinas ocidentais, incluindo filosofia, até que seus conteúdos sejam revistos. Outro diplomata disse que Bokova agiu corretamente ao se afastar do evento e, ao mesmo tempo, tentar manter o diálogo com Teerã, mas deveria ter agido antes.