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Um time vitorioso

O resgate de um grupo de meninos de uma caverna na Tailândia foi mais comemorado do que um título de campeonato

Foi uma festa: após semanas de dramática expectativa, em 8 de julho quatro meninos foram resgatados de uma caverna no norte da Tailândia e levados para o hospital. Outros se seguiram, em rápida sequência, até estarem a salvo todos os doze jogadores (o mais novo com 11 anos, o mais velho com 16) e o técnico de um time de futebol juvenil da pequena cidade de Mae Sai que passaram quase vinte dias presos em uma caverna escura, cercados de água por todos os lados, sem comida e sem agasalho, entre o fim de junho e o começo de julho.

Eles estavam explorando a área quando foram surpreendidos por uma chuva pesada que inundou a rede de cavernas subterrâneas, uma atração turística local. Demorou nove dias para um mergulhador confirmar que eles estavam vivos e mais nove para que uma equipe formada por gente do mundo todo arriscasse o resgate, pelo labirinto de água turva e passagens estreitas, desse bando de garotos que nem nadar sabia. No intervalo, os mergulhadores se revezaram para levar alimentos, remédios e agasalhos, e produzir vídeos para mostrar às famílias.

Quase dois meses depois do drama, o time dos Javalis Selvagens foi homenageado em Bangcoc — com direito a um “túnel” especialmente montado por onde a equipe passou em fila indiana, cercada de fotógrafos — e falou sobre seu drama. “Tentamos nos manter concentrados. Conversamos sobre como sair de lá”, disse o técnico, Ekapol Chantawong. Todos estavam sorridentes e felizes — depois do resgate, só três tiveram de ser tratados de pneumonia leve. “Estou contente de voltar à escola e estar com meus amigos”, comentou Adul Sam-on, de 14 anos, que é mais fluente em inglês e respondeu à saudação do mergulhador que os localizou. Para Ekapol, Adul e mais dois meninos do time, o final foi mais feliz ainda. Membros da minoria shan, uma das inúmeras comunidades religiosas apátridas naquele canto da Ásia, os quatro foram presenteados com a cidadania tailandesa.

Publicado em VEJA de 26 de dezembro de 2018, edição nº 2614