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UE duplica ajuda a refugiados e anuncia novas sanções contra Síria

A União Europeia (UE) decidiu nesta segunda-feira duplicar a ajuda humanitária aos refugiados que fogem da repressão e dos combates na Síria, e anunciou novas sanções contra o regime de Bashar al-Assad.

Reunidos em Bruxelas, os ministros europeus das Relações Exteriores prometeram oferecer “ajuda extraordinária, incluindo uma financeira, para ajudar os países vizinhos, principalmente Líbano e Jordânia, a abrigar um número crescente de refugiados”.

A Comissão Europeia anunciou ter duplicado a sua ajuda de urgência aos refugiados na Síria e nos países vizinhos, aumentando-a para 63 milhões de euros. Já os Estados membros da UE desbloquearam cerca de 27,5 milhões de euros em ajuda humanitária.

A ONU estimou em pelo menos 120.000 o número de refugiados em Jordânia, Líbano, Turquia e Iraque. Os últimos cálculos indicam mais de um milhão de pessoas deslocadas na Síria, segundo o governo alemão.

“O aumento da ajuda da UE é a manifestação mais concreta de nossa solidariedade com o povo sírio”, disse Kristalina Georgieva, comissária europeia de Ajuda Humanitária.

Ao mesmo tempo, a UE decretou novas sanções contra o governo de Bashar al-Assad, acrescentando à lista negra da UE de congelamento de bens e proibição de vistos 26 pessoas, principalmente militares e membros dos serviços de inteligência, e três empresas, entre elas a companhia aérea nacional SyrianAir.

Segundo o ministro luxemburguês, Jean Asselborn, a consequência desta decisão é que a companhia SyrianAir não poderá aterrissar na Europa.

No total, 155 pessoas e 52 empresas ou administrações foram punidas pela UE, que também decretou embargos de petróleo e de armas, reforçado nesta segunda-feira pela obrigação de monitorar os navios e aeronaves suspeitos de burlá-los.

Esta obrigação será válida nos portos e aeroportos da UE e em águas territoriais europeias. Isto obrigará a Rússia a encontrar outras rotas para abastecer seu aliado sírio com material militar.

Nesta segunda-feira, Damasco reconheceu pela primeira vez e de forma oficial que possui armas químicas, e ameaçou utilizá-las em caso de “intervenção” militar de países ocidentais. A UE se mostrou “profundamente preocupada com o possível uso” dessas armas.

“Ameaçar recorrer a armas químicas é monstruoso. O regime sírio mostra sua maneira desumana de pensar”, comentou o ministro alemão, Guido Westerwelle.

Embora a UE evite fornecer armas aos rebeldes, alguns estados -como a Holanda- os ajudam enviando equipamentos de comunicação, indicou o chanceler holandês Uri Rosenthal.

Vários ministros europeus consideram que a Síria esteja em um momento crucial com o atentado da semana passada contra autoridades sírias em Damasco e com a chegada dos combates à capital.

O regime “luta por sua sobrevivência”, segundo Michael Link, secretário de Estado alemão. “Pode ainda matar mais pessoas, mas certamente não pode vencer”.

“O regime vai cair, não sabemos quando, mas devemos nos preparar para depois”, declarou o ministro sueco Carl Bildt. “É preciso começar a tentar apoiar um governo representativo para assumir o lugar de Bashar al-Assad”, acrescentou o francês Laurent Fabius.

As condições da saída do presidente sírio continuam dividindo os europeus. Vários ministros “defendem que Assad seja levado à justiça internacional, outros consideram que seria preciso deixá-lo fugir para o exterior”, indicou um diplomata europeu.